Dicionário sobre música pop chega às livrarias brasileiras
Nelson Sato
De Londrina
Livros sobre música pop saem aos borbotões no exterior. Mas só um ou outro consegue furar o bloqueio editorial e ganhar tradução no Brasil. O lançamento este mês do Vocabulário de Música Pop (Key Concepts in Popular Music, pela editora Hedra, é um desses milagres.
O livro foi publicado no final do ano passado nos Estados Unidos e no Reino Unido. Seu autor, Roy Shuker, é um professor de 50 anos da Universidade de Massey, da Nova Zelândia. O volume é um guia abrangente de termos e conceitos comuns ao universo pop e inclui definições sobre gêneros musicais (do techno ao hardcore), subculturas (dos hippies aos skinheads), termos musicológicos (da harmonia ao sampling), fenômenos musicais (dos grupos vocais femininos aos discos conceituais) e metodologias (do marxismo ao pós-modernismo).
Não há verbetes dedicados a fulanos ou sicranos como num guia para fãs. Nomes de bandas ou artistas estão presentes, claro, mas apenas como referências para situar o leitor diante das terminologias. Ao explicar britpop, por exemplo, Shuker cita a legião de bandas reunidas sob o rótulo enfileirando Blur, Suede, Pulp e Oasis como os destaques do primeiro escalão.
As leitoras, particularmente aquelas que colecionam tudo relacionado aos Backstreet Boys, NSync e demais grupos similares que empesteiam atualmente as paradas pop do planeta, poderão se identificar no tópico teenyboppers. Ali consta, com todas as letras, que as garotas gostam mais da música pop comercial do que os rapazes e que a maioria delas consome revistas por causa do pôster encartado.
O professor usou várias fontes para catalogar seu material. Recorreu à Internet, revistas especializadas e a seus alunos do curso de Estudos de Mídia. Para delimitar seu campo de pesquisa, Shuker seguiu a convenção considerando música pop os gêneros produzidos comercialmente no mercado fonográfico ocidental rock, pop, rap, reggae, dance music e suas respectivas ramificações.
Cada verbete traz indicações de conceitos relacionados, além de incluir sugestões do que ouvir, ler ou assistir para aprofundar os conhecimentos dos curiosos sobre o assunto. O dicionário traz mais de 300 verbetes em 330 páginas. É uma mão na roda, mas sujeito à mesma transitoriedade do objeto de que trata em sua páginas. É provável que tópicos como gêneros e estilos musicais já estejam obsoletos na próxima temporada. O autor já pode ir providenciando as revisões para a segunda edição.





