Dicionário reúne 6,5 mil verbetes de origem Banto
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segunda-feira, 23 de dezembro de 1996
Agência Estado 
Supapo, sunga, muvuca e tamanco. Nós nem imaginamos que palavras tão corriqueiras do nosso dia-a-dia tenham sua origem longe, mais precisamente na África. O compositor e escritor Nei Lopes, de 54 anos, decidiu fazer uma viagem às nossas origens africanas e organizou o Dicionário Banto do Brasil, com 6.500 verbetes. No livro, o escritor reuniu não só palavras como expressões que têm origem comprovada na cultura dos povos Bantos.
A idéia de organizar um dicionário com explicações sobre a origem das palavras foi se solidificando durante os anos. O projeto inicial era mais abrangente mas, à medida que ia avançando no conhecimento, Nei sentiu a necessidade de delimitar o campo. Percebi que o Yorubá, mais utilizado em Salvador para o candomblé e a culinária, ficava na superfície, diz. Ao mesmo tempo, verifiquei que o Banto está mais por baixo da epiderme do brasileiro, complementa.
Nei Lopes decidiu ser ousado. Em alguns casos, ele procurou explicar a etimologia das expressões. Através de seus estudos, por exemplo, o escritor concluiu que a palavra sacana não tem origem árabe, teoria defendida por alguns filólogos. No verbete de seu dicionário, Nei afirma que para nós, o étimo está no quicongo sàkana, que significa brincar, divertir-se; brincadeiras recíprocas; jogo, divertimento.
Nem bem lançou o Dicionário Banto do Brasil, Nei Lopes já está programando uma outra maratona: a de editar uma enciclopédia sobre a cultura negra. Nei espera ter, dentro de um ano, cerca de 10 mil fichas reunidas. A dedicação quase integral à literatura, entretanto, não fez com que Nei largasse a música. O compositor, que fará 25 anos de carreira no ano que vem, diz que está com um repertório de músicas inéditas. Ele fez uma participação como intérprete no último disco de Aldir Blanc.


