Rio, 09 (AE) - O dicionário "Novo Aurélio - Século XXI", que chega amanhã (10) às livrarias, com sessão especial de lançamento às 10 horas na Academia Brasileira de Letras (Avenida Presidente Wilson, 203, Rio), está mais robusto, com 435 mil verbetes, 60 mil dos quais não constavam da edição anterior, de 1986. A tiragem é de 100 mil exemplares em papel e há uma versão em CD-ROM. O acréscimo de palavras é por causa de termos vindos da informática, da medicina e das ciências, além de cerca de 2 mil africanismos.
Gírias que surgiram nos últimos 13 anos também foram incorporadas, com seus significados. É o caso da palavra roubada
que nesse Aurélio aparece também como sinônimo de mau negócio. Da informática vieram termos como download (obtenção de cópia por computador) e bug (com o sentido de erro de programação). Segundo a professora Margarida dos Anjos, que dividiu a coordenação do dicionário com Marina Baird Ferreira, viúva de seu criador, Aurélio Buarque de Holanda, esses acréscimos decorrem do desenvolvimento da língua.
"O uso é que faz a linguagem e os termos usados na informática, nos jornais e na TV foram ratificados por nós", diz ela. "Quanto aos termos trazidos das ciências, eles são consequência das descobertas ocorridas nos últimos 13 anos". Apesar dessa ampliação, vai faltar o verbete aurélio, que se tornou sinônimo de dicionário na linguagem corrente. "Apesar de isso ser um fato, meu marido era muito modesto e não quis incluir seu nome na segunda edição", justifica Marina. Mais leve - Os africanismos (termos de origem portuguesa ou africana incorporados à literatura cotidiana) mereceram uma pesquisa à parte, feita pelo professor francês Michel Lapan, da Universidade de Sorbonne. "Ele é o maior especialista em literatura africana e luso-afriana no mundo e fala um português impecável", justifica Margarida. Apesar de ter 25% a mais de verbetes que a edição anterior, o novo dicionário é um livro mais leve e com o mesmo tamanho da versão de 86. Para conseguir essa economia, a Editora Nova Fronteira usou um papel mais fino e uma tipologia que dá a impressão de que o "Aurélio" está do mesmo tamanho.
O primeiro "Dicionário Aurélio" começou a ser pesquisado em 68 e teve a primeira edição em 75 e a segunda em 86. A pesquisa da terceira edição começou ainda em 86, com o seu criador. Com a morte dele, em 89, Marina e Margarida assumiram a tarefa, coordenando sete linguistas e mais de 40 especialistas em áreas diversas. Pronta a terceira edição, a equipe já cuida da próxima, que ainda não tem data de publicação.

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