Diáspora em preto-e-branco
Diáspora em preto-e-branco
Enquanto Central do Brasil não chega aos cinemas brasileiros, uma boa oportunidade para conhecer o trabalho do cineasta Walter Salles é assistir a Terra Estrangeira, seu segundo longa-metragem. Dirigido em parceria com Daniela Thomas, o filme rodado em preto-e-branco ganhou vários prêmios em festivais europeus em 1995. Definido pelo próprio diretor como road-movie, Terra Estrangeira é ambientado num período recente da história do Brasil: o Plano Collor.
O filme apresenta um Brasil que passa a exportar cidadãos para vários pontos do Planeta. Na época, quase um milhão de brasileiros deixaram o País em busca de uma terra estrangeira. Marginalizados e perdidos em saudades, essas pessoas viveram um total isolamento. A história é centrada no casal Paco (Fernando Alves Pinto) e Alex (Fernanda Torres), que parte para a terra de Camões e acaba se envolvendo com um grupo que faz contrabando de diamantes.
Terra Estrangeira foi um filme feito com enorme paixão e um profundo respeito pelo cinema. Com um orçamento franciscano (US$ 500 mil), Walter Salles fez uma obra esteticamente bem-elaborada. Uma poesia em preto-e-branco que retrata o isolamento interior dos indivíduos que deixam sua pátria em busca de um mundo melhor. A produção mostra o refinamento deste jovem cineasta. Walter Salles é um diretor mais cult que comercial, mais Glauber que Spielberg e mais Berlim que Hollywood.
Apaixonado pela fotografia, ele teve a idéia de fazer o filme a partir de uma foto em preto-e-branco de um navio cargueiro encalhado no mar. A cena foi transportada para tela, sintetizando muito bem o exílio econômico dos brasileiros após o confisco da poupança que imobilizou a Nação.
Duração: 90 minutos.
(C.M.)





