O povo dos EUA paga US$ 25 bilhões de juros por mês sobre o déficit federal. O cidadão americano paga US$ 1 mil por ano, ou US$ 1 mil recaem sobre ele, quer dizer, deixa de ter chance de ganhá-los para pagar aos credores da nação. Dados fornecidos por John Steele Gordon, um especialista no assunto, autor de ‘‘Hamilton’s Blessing, the Extraordinary Life and Times of our National Debt’’.
Quanto pagará o cidadão brasileiro sobre nosso déficit? Ou melhor, muito mais do que os EUA, a potência mais rica da Terra, quanto recairá sobre os nossos milhões e milhões de pés-rapados. Mogadon Suplicy, que, finalmente, parece ter encontrado sua vocação nas novelas de televisão, deveria estudar essas coisas. Ele gosta de econometria. Seu ídolo senador Moynihan desfez uma das mais sofisticadas balelas dos burocratas social-democratas de Washington de que os salários médios nos EUA haviam estacado em nível de 1978. Moynihan demonstrou que esse cálculo não inclui os 19% de benefícios, seguro, casa própria, aposentadoria acumulada, que os americanos não declaram como renda. Da discussão nasce a luz, sim, mas discussão informada. Pensem de orelhada no custo, no que recai sobre o povo brasileiro pelos déficits cada vez maiores, elefantisíacos, das brases, desse pão-de-ló eterno de embusteiros.
CalladoAntes de morrer, na última terça-feira, Paulo Francis havia preparado esta coluna, assim como o texto que será publicado no próximo domingo.



Nova York - O Brasil é como os despotismos orientais. Só há um partido, o do governo. Não há oposição. Políticos dizem isto e aquilo à imprensa, mas na hora H votam com o governo. A aspiração dessa ratatuia é receber benesses do status quo, seja qual for. Basta lembrar a fera socialista Erundina, aceitando um ministério de Itamar, e o atual ideólogo do PT, Goebbels Weffort, ministro da Cultura do ‘‘neoliberal’’ Fernando Henrique.
Fernando tem dois anos de primeiro mandato. O enrolamento atual era justificado pela prioridade dada à emenda da reeleição (ainda por finalizar, mas ninguém duvida de que vá vigorar). Muita gente já o considera reeleito. É a ingenuidade e a ignorância política habituais. Fernando tem de se provar nesses dois anos. Abrir a economia deste país imenso que importa alimentos, porque subproduz em todos os setores, que cobra tarifas extorsivas na importação de computadores, a artéria-mestra do progresso econômico e social, tornando-o, como os celulares da Banda B, privilégio exclusivo dos ricos.


Quanto pagamos?

mockup