Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Os 20 mil leitos dos 180 hotéis de Foz do Iguaçu garantem uma concorrência acirrada que, desde o início da década, vem derrubando os preços das diárias, principalmente para pacotes turísticos vendidos nos maiores mercados consumidores do País e do exterior.
Segundo o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu, o desconto médio para excursões chega a 50%. No Brasil, apenas Porto Seguro, no litoral sul da Bahia, pratica esse patamar de descontos, de acordo com a mesma entidade.
‘‘Nossa vantagem é que o turista avulso, que não é agraciado com esse desconto, também paga um preço baixíssimo’’, diz Carlos Tavares, presidente do sindicato.
O último levantamento mensal da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico mostra que o preço médio (sem desconto) de um apartamento simples em hotéis de uma estrela (a pesquisa ainda usa a antiga classificação da Embratur) é de R$ 17,50, uma das mais baixas do País.
O mesmo levantamento mostra que o quarto simples em hotéis de duas estrelas custa em média R$ 38,00. No caso de um três estrelas, o preço sobe para cerca de R$ 58,00. Os de quatro cobram R$ 102,00.
Para os hotéis de cinco estrelas, o desconto para os pacotes são menores, mas o preço avulso ainda é muito atraente, levando-se em consideração a média brasileira. As diárias variam de R$ 240,00 a R$ 285,00 (sem descontos).
E por que os hoteleiros de Foz conseguem praticar estes preços? A primeira explicação é histórica. As Cataratas do Iguaçu – atração natural que ancora o fluxo turístico da região – foram ‘‘descobertas’’ primeiro por europeus e norte-americanos, que, nas férias, tinham como referência os preços baixos praticados em seus países.
‘‘Na época, os hoteleiros se conscientizaram que tinham que abrir mão de parte do lucro para assegurar outras excursões’’, diz Luiz Antônio Rolim de Moura, empresário e ex-diretor de Marketing da Foztur (agência de fomento que, até o início do ano, gerenciava o turismo no município).
Outra explicação é a atual conjuntura econômica da fronteira, que sofre com a decadência do centro comercial de Ciudad del Este. A segunda metade dos anos 80 e a primeira metade dos 90 foi um período de grande expansão da rede hoteleira, catapultada pela explosão do turismo de compras.
Com o final do ciclo dos sacoleiros, Foz tem agora uma superoferta de leitos e um fluxo de turistas convencionais que apresenta um tímido crescimento.
‘‘O resultado é que temos uma concorrência acirrada, que reflete também na boa manutenção e nos bons serviços. Por exemplo, nossos hotéis populares têm excelentes cafés da manh㒒, conta Antônio Hernandez Gonzáles Júnior, secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico.
Gonzáles Júnior ressalta também os preços dos restaurantes da cidade. ‘‘Em que lugar do mundo se come bem com dois dólares como em Foz? É por isso que nossas churrascarias vivem cheias de argentinos e paraguaios.’’
Marcelo Valente, presidente do Conselho Municipal de Turismo, diz que o mais importante é que o turista irá encontrar uma estrutura de recepção que se aprimorou com a crise. ‘‘Hoje o turista em Foz vale ouro e é muito bem tratado’’, afirma.

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