A brasilidade de ''Samba Clássico'' (de Villa-Lobos), ''Não Vai Morena'' (de Guerra-Peixe), ''Cantigas'' (de Alberto Nepomuceno), ''Maria'' (de Castro Alves, recolhida e hamonizada por Olga Praquer) e ''Balada do Rei das Sereias'' (de Dorival Caymmi e Manuel Bandeira) está reunida no CD de Dianna Pequeno intitulado ''Cantigas'', que está à venda com o Selo Rádio MEC.
Além do extremo cuidado com a seleção das músicas, Dianna ainda apresenta uma outra faceta sua, canções e arranjos próprios, a exemplo do brasileiríssimo maracatu ''Semanário'' (1999), fruto de uma safra mais recente.
Foram 11 anos longe dos palcos. Amadurecida, saudosa de seu público e inspiradíssima, Dianna Pequeno retorna ao cenário musical para lançar o CD que traz ainda os clássicos ''Trenzinho Caipira'' (de Villa-Lobos), ''Lua Branca'' (de Chiquinha Gonzaga), ''Ontem ao Luar'' (de Pedro de Alcântara e Catulo), ''Quem Sabe?'' (de Carlos Gomes), e as eternas ''Prenda Minha'' e ''Casinha
Pequenina''. Sem dúvida, uma seleção única interpretada por uma voz divina.
Com 22 anos de estrada, esse disco reforça sua característica básica: conseguir fazer o melhor e o mais sofisticado de forma simples e verdadeira. Mais ainda: Dianna resgatou em seu novo trabalho um momento de expressiva brasilidade, que andava desaparecido devido aos modismos e desencontros provocados pela indústria fonográfica.
O pesquisador musical Ricardo Cravo Albim saiu do estúdio Alceu Bocchino, na Rádio MEC, fascinado. Ele acabara de ouvir o novo trabalho de Dianna Pequeno e esbanjou sinceridade em sua opinião: ''baixou-me um robusto sentimento de bem-estar. Era como se cada música tocada me descesse à alma retemperada por delicados goles de puro malte 22 anos, entremeados por pequeninos pedaços do mais fino aipim frito, aquele crocante por fora e tenro por dentro, amarelinho como um pequeno sol de delícia e prazer''. E a sensação é exatamente essa.

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