Talvez a idéia fosse lançar o filme na sexta que antecede o Dia das Mães, daqui a quinze dias. Por via das dúvidas, o distribuidor decidiu antecipar a estréia nacional de ''Mamãe Quer que eu Case'' (confira a programação de cinema na página 2) para hoje, escapando assim de um monumental constrangimento. Porque o filme, injustiça se faça às progenitoras, é tenebroso a mais não poder.
Quem te viu, quem te vê. Aquela que foi musa de Woody Allen, sempre dando mostras de talento, nos últimos tempos parece ter entrado numa espiral descendente sem sinal de volta. Seus personagens mais recentes mostram que os filmes estão orientados para um gênero muito determinado, a comédia simples baseada principalmente na expressividade da veterana atriz. O problema é tentar fundamentar um filme inteiro em cima de personagens que já ultrapassam os limites do suportável.
''Mamãe Quer que Eu Case'' é comédia romântica na qual mãe histérica e excessiva (Keaton) decide buscar a qualquer custo um noivo estável para Milly (Mandy Moore), uma de suas três filhas. Esta disparatada premissa de argumento é o motor da produção, no conjunto um filme que não chega sequer a dizer a que veio.
A narrativa está repleta de supostos momentos cômicos que somente arrancarão sorrisos dos mais fanáticos apreciadores de quedas, tortas na cara e ocorrências telegrafadas com muitos segundos de antecipação. Há o cachorro que se excita vendo vídeos pornô (!), um garoto que fala de vaginas e, acima de tudo e de todos, a super-mãe intragável que merece por inteiro uma das poucas frases acertadas do filme: ''Se você pudesse se calar, nem que fossem por cinco segundos...'' (C.E.L.J.)

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