A Funai em conjunto com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), através do grupo MIG (‘‘construindo junto’’, na língua indígena), está lançando um livro voltado para a comunidade indígena da região, explicando as vantagens e desvantagens da construção de usinas hidrelétricas no Rio Tibagi.
De que forma a vida dos mais de dois mil caingangues das reservas do Apucaraninha, em Londrina, Barão de Antonina e São Jerônimo, em São Jerônimo da Serra, Mocóca e Queimadas, em Ortigueiras, será afetada caso as hidrelétricas sejam construídas?
Segundo a programadora educacional da Funai, Ivani Aparecida Garcia Teles, a comunidade estava muito desinformada a respeito deste processo, daí surgiu a idéia de escrever um livro em linguagem bem acessível explicando o que significa a construção de hidrelétricas nas regiões das reservas caingangues.
‘‘Eles precisam saber o que reivindicar se a construção for aprovada no Congresso Nacional’’, afirma Ivani Teles. O livro foi escrito por sete professores de 3ª e 4ª séries das aldeias das cinco reservas com a participação dos alunos que fizeram parte da ilustração e ainda colaboraram com alguns textos.
O livro começa com dois amigos que se encontram nas margens do Tibagi. Eles travam um diálogo sobre a história do rio que passa nas cinco reservas, suas lendas, a sua importância para os índios e termina com uma explicação sobre os impactos da construção de uma hidrelétrica.
‘‘Sabe aquele rio lindo que passa por todas essas terras indígenas? Ele não será mais cheio de belezas, cachoeiras e corredeiras onde o índio arma o pari e nem nas suas margens existirão mais plantas para remédios, frutas, taquaras e sítios arqueológicos’’, alerta um dos amigos durante o diálogo. O outro índio assustado pergunta: - ‘‘Por que tudo isso irá desaparecer?’. - ‘‘Porque para construir essa usina será preciso trancar o rio com uma barragem.’’
Durante a conversa dos dois amigos também é explicada a importância de uma usina hidrelétrica e a necessidade de se gerar mais energia. Ivani Teles explica que o objetivo do livro é deixar claro para a comunidade indígena que ela precisa estar informada sobre o assunto para saber avaliar a sua dimensão.
‘‘Hoje existem leis que garantem aos povos indígenas o direito sobre suas terras, de avaliar se a construção de uma hidrelétrica, por exemplo, será benéfica para eles ou não e de decidir se aceitam ou não’’, lembra a programadora educacional baseada na Constituição de 1988. Trechos desta lei são transcritos no livro.
Ela salienta que o importante é fazer com que a comunidade esteja consciente ‘‘para escolher o que for melhor para o bem-estar de todos os índios do Tibagi’’.
O livro ‘‘Venh Róg - Rio Tibagi’’ foi lançado na última quarta-feira na reserva do Apucaraninha. Segundo Ivani Teles, a receptividade não podia ser melhor, a comunidade indígena gostou tanto que pediu que novos livros sobre o tema sejam escritos. ‘‘O bom é que as crianças levam para casa e os pais fatalmente irão ler também.’’

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