Diálogo entre arte e indústria
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Resultado de uma rara parceria entre indústria e artistas, que funcionou de 1967 a 1985, na França, a exposição ''Uma Aventura Moderna'' estará em Curitiba até o dia 9 de agosto, no Museu Oscar Niemeyer. São 96 obras de artistas de diversos países que receberam incentivo da fábrica de automóveis Renault para criarem livremente, como num sistema de mecenato.
O trabalho conjunto, que permitiu aos artistas utilizarem o espaço da empresa, com livre acesso às instalações, escritórios de design e engenharia, deu origem a uma produção variada. São obras que tratam da relação entre arte e indústria, da padronização e acumulação criadas com a modernidade, e de outros temas desligados do universo industrial mas representativos daquela época.
''A Renault é uma empresa emblemática da economia francesa e queria fazer uma coisa original: aproximar a arte e a indústria contemporânea. Mas não queria simplesmente comprar os trabalhos, então convidou os artistas para colaborarem com ela'', explica a curadora do acervo da Renault, Ann Hindry. ''Os artistas tinham interesse em sair do padrão plástico pré-estabelecido, em aproximar sua arte da vida mais real'', completa a curadora.
De todas as obras resultantes desse processo, 300 foram destinadas ao acervo da empresa. Destas, 96 foram selecionadas para a mostra ''Uma Aventura Moderna'' e são apresentadas em quatro seções. A primeira e mais extensa, reúne os artistas que se interessaram pelo universo industrial e que trabalharam com elementos e produtos da linha de produção da Renault. É o caso do francês Arman, que mesclou técnicas clássicas com peças automotivas, como um motor cortado ao meio para servir de carimbo na tela.
Outro representante desse segmento é o suíço Jean Tinguely, que dá à racionalidade das engrenagens uma visão poética e irônica. ''Sua máquina não é racional como a indústria, ela é louca. Se movimenta mas não serve para nada'', ressalta Ann Hindry. Também estão presentes o grego Takis, com suas obras que exploram as forças invisíveis da natureza como o eletromagnetismo, o norte-americano e precursor da Pop Art, Robert Rauschenberg, e o pintor islandês Erró, com suas imensas paisagens feitas de engrenagens e peças industrializadas.
A segunda parte da exposição é toda dedicada ao universo artístico do francês Jean Dubuffet, que produziu pinturas de grandes dimensões. ''Ele queria que as pessoas pudessem caminhar pela obra tanto no plano físico quanto intelectual. Ele queria construir um teatro onde a pintura fosse ator, personagem, aquitetura e escultura'', explica a curadora. Na terceira etapa, a mostra apresenta a pintura cinética do úngaro Victor Vasarely e do argentino Julio Le Parc.
Por fim, a aventura conduz o visitante por obras de artistas que representam aquele período sem necessariamente abordarem a temática industrial. Entre esses trabalhos, destacam-se as madonas que encerram a mostra e são, segundo Ann Hindry, as protetoras da coleção. Uma delas é obra da única representante feminina desta exposição, a francesa Niki de Saint-Phalle.
SERVIÇO
Quando - Até 9 de agosto
Onde - Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
Quanto - R$ 4 e R$ 2 (estudantes). Gratuito para grupos agendados da rede pública, estudantes até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês
Mais informações - (41) 3350-4400 ou no www.museuoscarniemeyer.org.br.


