Londrina deu um salto em direção ao passado com 19 projetos contemplados na Lei Municipal de Incentivo à Cultura para o ano de 2002. São propostas que trabalham diretamente com a memória da cidade e o patrimônio histórico. Outras interagem com a filosofia de salvaguardar informações históricas. Londrina terá parte da história preservada em diversos suportes.
A Conferência de Cultura catapultou e agregou para a área do patrimônio histórico e memória imaterial arquitetos, professores, pesquisadores, escritores, músicos e arquivistas. ‘‘A Conferência, de certa forma, organizou esse setor de forma concretizar esses projetos. Anteriormente, os trabalhos eram isolados’’, avalia Vanda Moraes, do setor de Patrimônio da Secretaria de Cultura. Para ela, sempre houve interesse da comunidade londrinense no setor, mas esse ano os projetos começaram a ser concretizados. No total, R$ 205,224 mil serão destinados à realização dos 19 projetos.
Todos buscam no passado da cidade uma perspectiva de trabalho no presente para levar às gerações posteriores caminhos para o crescimento da cidade. O lema é divulgar para preservar. Se o diálogo com o futuro é palavra de ordem na preservação da memória da formação de Londrina, um dos projetos mais representativos do setor tem idealização da arquiteta e museóloga Rosane Tróia. Será um Museu Virtual que poderá ser acessado pela internet. ‘‘Esse projeto será um museu de estrutura urbana de Londrina que terá um inventário arquitetônico e urbano e disponibilizado a qualquer internauta. Qualquer pessoa que buscar na internet ‘‘cidades novas’’ encontrará o site’’, explica a idealizadora.
No projeto constam panorâmicas da situação atual, recursos em 3D reconstituindo o que já não existe. O site contará com passeios virtuais, onde o internauta poderá clicar em determinados pontos de paradas para ter visão do entorno. O projeto requintado oferecerá detalhes mais próximos da realidade possível. Segundo Rosane Tróia, a edição de um site requer tecnologia e mão-de-obra especializada de profissionais que realizem o desenvolvimento de conteúdo. O valor disponibilizado para o projeto é de R$ 13 mil, quantia insuficiente para a envergadura da proposta.
O agricultor pioneiro e fotógrafo Haruo Ohara (1909-1999) entra no rol dos biografados nesse ano. Saulo Haruo Ohara, Marcos Losnak e Rogerio Ivano protagonizam o projeto da biografia do imigrante, lavrador e pai de família, nascido no Japão e que deixou um acervo fotográfico inigualável da formação sócio-cultural da cidade de Londrina.
‘‘A biografia pretende ser definitiva. Será ilustrada com 20 fotos e 100 páginas de texto’’, sintetiza Saulo Ohara. No projeto de pesquisa, serão realizadas entrevistas com familiares e conhecidos de Ohara. Outras fontes utilizadas serão os diários, arquivos e documentos deixados com rigorosa organização pelo fotógrafo. ‘‘A obra de Haruo Ohara não foi avaliada como merece’’, avalia Losnak. Os R$ 10 mil cortados da proposta inicial – num total de R$ 24 mil – serão arregimentados pela família, para que o resultado final tenha a qualidade a altura do legado deixado por Ohara.
Contando a história de Londrina utilizando o suporte DVD, os empresários Paulo Pólvora e Fernanda Peixoto pretendem agregar informações e imagens desde a colonização da cidade até os dias atuais. Com o DVD, pode-se reunir por tópicos os dados relacionados com a história londrinense. Entre os tópicos, poderão ser encontrados a expansão urbana, o café, a indústria e Londrina atual. ‘‘Teremos 20 minutos de imagens mais um álbum de fotos. A duração do DVD depende de como ele for explorado’’, explica Paulo Pólvora. O material não terá um público específico. Uma cópia lacrada do DVD ‘‘Resgate’’ será entregue à Secretaria de Cultura. Segundo Pólvora, o material existente sobre Londrina em película está se deteriorando. A durabilidade do DVD é de 60 a 100 anos. Com o enxugamento nos valores propostos inicialmente em 50%, a contrapartida social de entregar em VHS cópias para serem distribuídas nas escolas e bibliotecas não poderão ser feitas. Por isso, o casal busca patrocínio fora da Lei de Incentivo para que o projeto não fique pela metade. Dentre os itens considerados não prioritários no projeto, a comissão que analisou ‘‘Resgate’’ cortou a aquisição do DVD virgem para que documentário possa ser realizado.

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