Os atores/ bailarinos de ‘‘Colóquio Dentro de um Ser’’ travam boa performance, mas o espetáculo perde o brilho na transposição da literatura para o palco
O teatro físico ganha cada vez mais visibilidade na programação do Festival Internacional de Londrina (Filo). Os brasilienses Leonardo Hernandes e Rômulo Augusto contribuíram para referendar a preferência nessa edição do evento com ‘‘Colóquio Dentro de Um Ser’’, com direção de James Fensterseifer, apresentada no Espaço Alternativo, na quarta e quinta-feira.
A primeira imagem impactante de ‘‘Colóquio...’’ tem como protagonista o cenário, um palco levadiço amarelo Van Gogh. Dois bancos e um cabideiro completam a cenografia funcional de Simone Gueresi e Bruno Licini. O cenário se integrou à proposta inicial do espetáculo de apresentar um homem em busca do autoconhecimento e suas tentativas de romper as próprias inseguranças.
Com o texto de Kafka – Metamorfose – a dupla travou uma luta corporal para atingir as formas do pavoroso inseto no qual Gregor Samsa se transforma. O diálogo corporal entre Leonardo e Rômulo se mostra afinado, o que não significa que apresentaram um coreografia de elaboração sofisticada.
Se na trajetória do personagem houve êxito na tentativa de romper as amarras existencialistas, não se pode dizer o mesmo da transposição da literatura para a cena. Entre o planejado e o apresentado houve algumas incoerências. ‘‘Colóquio Dentro de Um Ser’’ se insere no tipo de literatura que ao ser lida proporciona uma espécie de revelação. Essa sensação se perdeu na transferência para a linguagem cênica. A direção burocrática de James Fensterseifer não extraiu dos atores o substrato psicológico que a poesia dramática de ValSry exigia. O conflito interno ficou diluído e os intérpretes pareciam estar lutando para compreender o texto, sem prestar atenção na pulsão psíquica das palavras.
Se o uso do espaço concreto foi explorado à exaustão, o envolvimento sonoro/vocal com o espaço ficou no raso. Isso porque as interpretações de Leonardo Hernandes e Rômulo Augusto caminharam na mesma concepção e no mesmo estilo: a poesia recebeu frasear e inflexões lineares, sem viceralidade. A emoção rígida surgia e escorregava pelo cenário. A maior dificuldade da dupla de atores de Brasília foi a de vencer a lei da gravidade interna para compactuar com os ideais de Franz Kafka e Paul ValSry com o público.




HOJE NO FESTIVAL
- ‘‘O Romance do Vaqueiro Benedito’’ – Com Mamulengo Presepada, de Taguatinga (DF). Às 16 horas, no Meprovi (somente para internos), e às 23 horas, no Bar Valentino (Avenida Bandeirantes, 61).
- ‘‘Aqui Comienza el Viajo’’ – Com o grupo Teatro del Aire, do Chile. Às 18 horas, na Copel (somente para funcionários). Espetáculo que une teatro, circo e dança.
- ‘‘Cuando tu no estás’’ – Com o grupo Seres de Luz Teatro, de Campinas (SP). Às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413). Espetáculo com atores e títeres que aborda a perda e o abandono.
- ‘‘K 157/2000 - Projeto Gato’’ – Com Carla Diacov, Camila Fontes e Flávio Pistori. Às 21 horas, no T.O.U. (Rua Rio Grande do Sul, 75). A adaptação do conto policial de Edgar Allan Poe conta a história do cotidiano atormentado de um homem, que convive com a mulher e um gato.
- ‘‘Olympia’’ – Com o Grupo de Teatro Andante, de Belo Horizonte (MG). Às 22 horas, no Núcleo I (Rua Quintino Bocaiúva, 1243).
* Os ingressos custam R$ 10,00 – estudantes, idosos e funcionários da UEL pagam R$ 5,00.

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