''Vamos para outro lugar / Onde a gente possa se dar, fumar / Aumentar o som / Gritar, vai ser bom'', diz um trecho de ''Vem Cá'', música do novo disco de Arnaldo Antunes. E é isso mesmo. Depois de dois álbuns intimistas, o artista volta a gritar, em alto e bom som, nas 12 faixas de Iê Iê Iê.
Trata-se do trabalho mais roqueiro de sua carreira-solo (e também o mais acessível, radiofônico). Disposto a revisitar a cultura pop dos anos 60, Arnaldo projeta o rock abolerado da Jovem Guarda para os dias atuais. Um resgate que passa, ainda, pela new wave dos primórdios dos Titãs.
O projeto leva a assinatura do produtor Fernando Catatau. Líder da banda Cidadão Instigado e ex-guitarrista de apoio da cantora Vanessa da Mata, Catatau emprega sua grife musical em todas as faixas, a ponto de se posicionar como um ''guru'' dessa nova aventura de Arnaldo.
Aliás, como bem fez Caetano Veloso em seus últimos registros, o ex-Titã também se cercou de jovens talentos. Além de Catatau, participaram das gravações o baterista Curumin e o tecladista Marcelo Janeci, ambos donos de trabalhos-solo interessantes. Da banda antiga, restou o guitarrista - e colaborador de sempre - Edgard Scandurra.
As letras estão menos experimentais e mais visuais. Vide a bem-humorada faixa-título (''Visto Meu Casaco de Couro Bang Bang / Manchado de Batom e de sangue / Se você pedir eu subo no palanque / E mostro aquele passo de funk).
Destaques do álbum, ''Vem Cá'' e ''Iê Iê Iê'' foram escritas a seis mãos por Arnaldo, Carlinhos Brown e Marisa Monte, o núcleo dos Tribalistas (certamente o projeto mais pop em que ele já se envolveu). Com essa disposição para dialogar com um público maior, o artista ganha fôlego para seguir em frente, mesmo que retome sua veia mais radical.

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