A origem ao certo é difícil de ser datada e localizada. Tudo pode ter começado com nossos ancestrais das cavernas que costumavam pintar-se e ficar em círculo enquanto um outro ficava ao centro fazendo micagens. Pode estar aí o embrião da história do circo. Historiadores acreditam que o circo moderno foi criado por um ex-sargento-auxiliar, Philip Astley em Londres, em 1768. Alguns afirmam que esta data não é precisa.
Quanto à origem semântica, a idéia mais comum remete à óbvia evidência geométrica: a palavra teria sido inspirada na forma circular dos picadeiros ‘‘desde o tempo do Coliseu Romano até as grandes lonas atuais’’, segundo o jornalista e romancista Manuel Pereira em edição da revista Correio de 1988.
Ele se diz aborrecido com esta idéia, então inventou outra associação: ‘‘...o termo circo procede de Circe, a feiticeira da Odisséia de Homero que transformou em porcos os companheiros de Ulisses’’. Segundo Manuel Pereira, ‘‘...todas as diabruras dessa maga não foram mais que números circenses avant la lettre’’.
Nesta mesma edição da revista Correio, dedicada ao Circo, a jornalista Mônica Renevey afirma que para o sociólogo suíço Jean Ziegler ‘‘o circo é o último vestígio de um saber antigo, existencial e iniciático’’. De acordo com o sociólogo, o circo é um saber, uma arte ancestral única que só se perpetua através da transmissão do saber de pai para filho e através do ensino proporcionado por uma escola.
Dois atletas londrinenses arregaçaram as mangas e resolveram dar sua colaboração para a perpetuação da atividade. Eles montaram o circo-escola com recursos obtidos através da aprovação do projeto pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A partir de hoje as crianças de Londrina serão iniciadas nas artes do picadeiro.
O circo-escola irá percorrer todas as regiões da cidade. Sua primeira parada é na Avenida Saul Elkind, onde os próprios coordenadores do projeto - Sérgio Augusto de Oliveira e Robsmar da Silva - montaram a lona. Até o final de abril as crianças desta região estarão entrando em contato com a cultura circense.
Os dois atletas trabalham com o conceito moderno que mescla teatro e dança. O circo que traz nas suas atrações números como o de feras domadas, roda da morte, não atrai Robsmar e Sérgio. ‘‘Eu acho que os animais, por exemplo, devem ficar em seu habitat. O que nos interessa é explorar o potencial do corpo humano’’, afirma Robsmar.
E é isto que os atletas irão apresentar para as crianças. Através de aparelhos que fascinam os pequenos como cama elástica, trapézio de balanço, minitrampolim, perna-de-pau e monociclo; as crianças estarão vivendo as fantasias do picadeiro.
Através do lúdico os alunos estarão entrando em contato com regras básicas de comportamento, que segundo Sérgio irão levar para o resto de suas vidas. ‘‘Quando você está no arame, por exemplo, você não pode se distrair, senão cai’’, afirma. ‘‘O que ajuda a desenvolver a concentração, necessária em outras áreas da vida da criança’’, complementa.
Esta é apenas uma primeira etapa do projeto do circo-escola. ‘‘Queremos futuramente conseguir além do circo itinerante um circo fixo para ensinar os interessados’’, afirma Robsmar.
Os adultos não foram excluídos do projeto. Além das turmas infantis, com horários no período da manhã e da tarde; também terão turmas noturnas para adultos. A única diferença é que os alunos da noite pagarão uma taxa enquanto as aulas para as crianças serão inteiramente gratuitas. Está aberta a temporada de ‘‘diabruras da maga Circe’’.

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