Antes mesmo do homem pisar na Lua, em 1969, Monteiro Lobato já havia levado Emília e parte da turma do Sítio do Picapau Amarelo para observar o mundo de lá e, a partir daí, explorar cada pedacinho do planeta Terra. No início da década de 1930, os temas escolares passaram a fazer parte de alguns livros da obra infantil de Monteiro Lobato, defensor de uma narrativa descontraída e informativa.
Parte desse universo literário pôde ser conferida por mais de 250 alunos de escolas municipais que integram o Programa Folha Cidadania, na semana passada, quando foi comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil, em 18 de abril, data que faz referência ao nascimento de Monteiro Lobato, o precursor da literatura infantil brasileira. "O Conto da Hora" teve patrocínio do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii e apoio da Livrarias Curitiba, onde aconteceu o evento.
Faladeira e espevitada, a contadora de histórias Ana Cláudia Constantino era a Emília em pessoa. Sob olhares curiosos, ela narrou uma síntese do livro "Viagem ao Céu". Em clima de descontração, todos foram transportados à Lua para conhecer São Jorge e o dragão, juntamente com os famosos personagens de Lobato. Nessa viagem, além do pó mágico de pirlimpimpim, não faltou na bagagem a capacidade de criar e imaginar. Após a contação, os alunos lancharam e puderam conhecer as novidades da livraria.
"Esse tipo de contação, com a caracterização da personagem, chama mais a atenção das crianças, mas nem sempre é possível ser realizada dentro da rotina escolar e tenho certeza de que eles gostaram", afirma a professora Tatiana Cristina Bengozi, da Escola Municipal Izaura Ferreira Neves, de Cambé. "De modo geral, a contação é bastante utilizada na nossa escola e na última sexta-feira do mês temos um momento em que os pais leem com os filhos na escola, iniciativa que tem dado bons resultados", acrescenta.
A professora Nagila Martins, da Escola Municipal Santos Dumont, de Cambé, destaca a importância do incentivo constante à leitura: "Nessa fase, eles se encantam com as histórias, mas conforme vão crescendo parece que aumenta a dificuldade de se identificarem com um livro. É preciso que a escola sempre esteja motivando o hábito da leitura e eventos como esse contribuem para isso. Além disso, como estudam em período integral, foi uma festa saírem da rotina".
Pela segunda vez consecutiva interpretando a personagem Emília, Ana Cláudia, que é formada em artes cênicas e também trabalha como operadora de caixa da livraria, lembra que cada vez mais o contador de histórias deve se preparar para esse trabalho. "Não é indicado se limitar ao livro, é preciso buscar mais informações, ler outras obras que complementem o que se pretende apresentar. As crianças de hoje são muito ativas e espertas e devemos aproveitar isso. A Emília tem um espírito inquieto, como se fosse o arquétipo da criança, que é um ser curioso por natureza", avalia.
O "Conto da Hora" também teve a participação de alunos das seguintes escolas municipais de Londrina: Moacir Camargo Martins, Vila Brasil e Irene Aparecida.

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