DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA - Homenagem aos santos de pele negra
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A história não deu conta de explicar quem foi o rei negro que, depois de se tornar escravo no Brasil, comprou a própria liberdade e a de outros escravos - o que coube às lendas que surgiram em torno do personagem da cultura afro-brasileira. Sob essa coroa lendária, ''Chico Rei'' dá nome à congada, espetáculo cênico que será apresentado pelo grupo ABC Arte Popular hoje - Dia Nacional da Consciência Negra - às 14h30, em frente ao Teatro Ouro Verde.
Formado por 75 crianças e adolescentes da Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), o grupo levará para a rua, o rei negro e sua corte, que traz em seu séquito mais do que a riqueza do folclore afro-brasileiro, mas a importância da manifestação para a construção de políticas afirmativas. O projeto ganhou menção honrosa do Prêmio Rodrigo Melo Souza Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).
Chico foi um rei do Congo. Aprisionado com sua família, ele teria sido embarcado para o Brasil como escravo. Durante uma tempestade, o capitão do navio ordenou que os familiares dele fossem lançados ao mar, sobrevivendo apenas um dos seus filhos.
Trabalhando nas minas de Vila Rica, Chico Rei conseguiu comprar a própria liberdade, do filho e de outros negros, erguendo uma igreja em honra de Santa Efigênia, dando início aos folguedos da congada - uma festa que durava sete dias e sete noites em homenagem aos santos de pele negra.
Além de Minas Gerais, a manifestação cultural é realizada no Rio de Janeiro, São Paulo, entre outros estados, mas na região de Londrina, somente há três anos, com a criação do grupo.
Com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, o ABC Arte Popular apresentará o espetáculo, que desde o século 16 é realizado no Brasil e que, somente a partir do século 18, passou a se chamar congada. ''Existem duas versões sobre a festa, sendo que uma delas diz que reproduz uma batalha entre mouros e cristãs e outra que é somente uma comemoração de reis negros. O que difere no nosso grupo é que, apesar das congadas terem bastante crianças, já que é uma manifestação que acontece em torno de algumas famílias, a nossa é realizada somente com a participação de crianças'', explica o coordenador do projeto, Marcos Antonio Costa.
Formado em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Costa vem desenvolvendo projetos em que aposta na afirmação dos afro-descendentes, através da cultura. ''Fui a Aparecida onde os vários grupos de congada se encontram na Festa de São Benedito. Gravei as apresentações e mostrei para as crianças, que criaram os próprios ritmos e passos de dança, inclusive os figurinos'', explica o coordenador.
Costa espera que o projeto seja aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) para que, no ano que vem, as apresentações também ocorrram nas escolas.
''Queremos oferecer material didático para os alunos e não ficarmos restritos somente às apresentações. Mostrar o espetáculo é positivo, mas nas escolas públicas está a maioria dos estudantes negros. Principalmente entre eles acontece muita evasão escolar. É preciso colocar a arte nas mãos deles, fazendo com que percebam que também podem fazer isso, não sendo restrita somente à academia. Acho que estamos vivendo um momento na educação em que somente pensamos no capital, deixando de lado as questões subjetivas. Somente com a sensibilidade é que iremos mudar essa situação que está aí'', conclui Costa.
SERVIÇO:
- Espetáculo Congada Chico Rei
Quando - Hoje, às 14h30
Onde - Calçadão, em frente ao Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)
Quanto - Gratuito


