Curitiba – Hoje é o Dia Nacional do Choro. A data passou a existir no ano passado, como uma das homenagens ao genial compositor Pixinguinha, nascido há 105 anos no Rio de Janeiro. Então, hoje é dia de Pixinguinha. Por obra e graça de alguns chorões renitentes e da Rádio Educativa FM 97.1, de Curitiba, o chorinho vai ser lembrado em toda a programação da emissora e em pontos importantes da cidade: na Boca Maldita, no Conservatório de MPB e, claro, no charmoso e simpático Beto Batata, mistura de restaurante e bar, onde o gênero ocupou muitas e muitas tardes de sábado. Um templo do jazz, o Original Café também se rende ao gênero.
Nascido nos quintais dos arrabaldes cariocas, o chorinho evoluia sob as copas das árvores e assim foi ganhando adeptos e venceu o tempo. Está aí, há mais de século, mesmo sendo perversamente tratado pelos brasileiros. Matreiro, ele tem a arte da sobrevivência. E como um de seus patronos mais ilustres – se não o maior –, Pixinguinha.
Quatro jovens chorões curitibanos, Sergio Albach (clarinete), João Egashira (violão), Gabriel Schwartz (flauta) e Luciano Lima (violão) estarão tocando às 10 horas na Boca Maldita; às 13 horas no Beto Batata; às 17 horas no Conservatório de MPB e às 21 horas no Original Café. Enquanto isso, a Rádio Educativa FM 97.1 leva ao ar uma série de programas especiais. A emissora dá início às homenagens às seis horas da manhã, através do programa ‘‘Primeiros Acordes’’. Às sete e meia o público terá oportunidade de ouvir ‘‘Suíte Retratos’’, obra concertista de Radamés Gnattali, que se inspirou em composições de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga.
Entre as 8 e 9 horas, em ‘‘Clássicos Populares’’, serão mostrados choros de Villa-Lobos, Francisco Mignone, Zequinha de Abreu e Gnattali. No ‘‘Brasil de Todos os Cantos’’, revista que vai das 9 ao meio-dia, haverá espaço para entrevistas e depoimentos com alguns dos nomes mais importantes dentro do choro, sejam eles locais ou nacionais. João Egashira e Sergio Albach abrem a sequência de entrevistas ao vivo. Da lista constam Sidail Cezar, Waldir Teixeira, Henrique Cazes, Guinga, Luís Nassif, Amélia Rabello, Maurício Carrilho, Joel Nascimento. Às 13h30 tem novamente João Egashira: ele apresenta um especial onde as músicas têm os bichos como temática, todas compostas por Pixinguinha.
Ele explica que ‘‘precisava escolher um segmento único’’ na obra do artista, e teve essa idéia. O autor de ‘‘Urubu Malandro’’ certa vez estava embriagado e matou um sapo. Quando voltou à lucidez arrependeu-se profundamente por ter sacrificado o animalzinho e jurou nunca mais matar bicho algum. Numa ‘‘homenagem póstuma’’ criou ‘‘Pula Sapo’’. Essa e outras histórias serão contadas durante o programa. Um novo especial do incansável Egashira acontecerá às 15 horas, desta vez dedicado ao tema do violão no choro.
Ele detalha que o choro conta com dois tipos de violões: o de 6 e de 7 cordas. Ficaram para a história músicos como Garoto, Dilermando Reis, Raphael Rabello, Meira e tem ainda Dino 7 Cordas, Maurício Carrilho, Luiz Otávio Braga. Todos eles estarão nesse especial. Curitiba mantém uma tradição no choro com instrumentistas da mais alta importância. Do trabalho de Janguito do Rosário, Arlindo dos Santos, Alaor da Flauta é que vem essa herança que os jovens abraçaram e levam adiante, repetindo o mesmo papel de levar adiante essa história musical.
Há três anos no ar pela Universidade FM, de Londrina, o programa ‘‘Época de Ouro’’, apresentado por Paulo Roberto Dametto, mantém a programação de chorinhos no seu horário habitual, amanhã, às 22 horas. ‘‘Não me prendo a essas datas que comemoram um determinado dia, mesmo porque as pessoas acabam esquecendo que existe o choro o resto do ano. Acho que fica muito melancólico comemorar’’, comenta. O programa ‘‘Época de Ouro’’ mostra desde os chorinhos dos velhos tempos até as novidades do gênero que vêm surgindo no cenário nacional.

mockup