Dia de poesia e prosa
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de maio de 2002
Reportagem Local 
As palavras e sensações do poeta maranhense Ferreira Gullar serviram de inspiração para a atriz e bailarina Mariana Muniz, de São Paulo, conceber o espetáculo que apresenta hoje e amanhã no Festival Internacional de Londrina (Filo) às 22 horas, no Núcleo I. Túfuns foi tirada do poema em prosa O Inferno (do livro A Luta Corporal) e mistura elementos de dança, teatro e música, na tentativa de criar uma linguagem própria.
Túfuns é um projeto de teatro e dança baseado nas tentativas de Ferreira Gullar de encontrar uma linguagem mais próxima o possível da experiência sensorial do mundo. Mariana Muniz apostou na expressão corporal para mostrar a relação entre palavras e movimentos, e assim criar um resultado cênico para os conceitos e impressões do poeta. Em sua obra, Gullar escreve: minha linguagem é a representação/ duma discórdia/ entre o que quero e a resistência do corpo.
Premiada com este espetáculo no projeto Rumos da Dança Itaú Cultural 2000/2001, Mariana Muniz acumula outros prêmios por sua atuação, como o APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor intérprete e coreógrafa (quatro vezes) e o Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo) de melhor coreógrafa em teatro adulto (três vezes).
Quem também faz sua primeira apresentação no Filo 2002 é o ator, poeta e contador de histórias Emmanuel Marinho, de Cuiabá (MT). Hoje e amanhã, a atração será reservada a funcionários da Unimed e Sercomtel. Mas na quarta-feira, às 21 horas, na Casa do Jornalista, o público poderá conferir o espetáculo Porã, um solo escrito e interpretado por Marinho. Em guarani Porã significa bonito, bom. Isso traduz também a simplicidade e a delicadeza com que foi construído.
Emmanuel Marinho produziu uma pesquisa no curso de pós-graduação em artes cênicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, visando a possibilitar a encenação de seus textos para o teatro, sem deixar que sua linguagem particular de ator e poeta se demarcasse. O resultado culminou na criação de Partitura para o corpo e palavra e da trilogia Margem de Papel, O encantador de palavras e Satilírico.
Porã sintetiza as conquistas alcançadas com os três espetáculos anteriores, para revelar a alma da encenação. Porém, a proposta deste trabalho é singular, valorizando o ator, o texto e as histórias por ele contadas. Emmanuel Marinho intercala momentos de lirismo com humor fino e sutil. Ao final do espetáculo, o ator convida o público a participar de uma grande roda de tereré (espécie de chimarrão, gelado), resgatando o espírito que envolveu a criação deste trabalho.
Serviço
- Túfuns, com Mariana Muniz, de São Paulo. Concepção e direção: Mariana Muniz e Cláudio Gimenez Filho. Coreografia e interpretação: Mariana Muniz. Trilha sonora: Tunica e Aline Meyer. Iluminação: Marcos Castilha. Figurino: Fábio Namtame. Duração: 45 min.
- Porã, com Emmanuel Marinho, de Cuiabá (MT). Direção: Emmanuel Marinho. Assistente: Katiuscia da Silva Oliveira.
HOJE NO FESTIVAL
- Porã Com Emmanuel Marinho. Ao meio-dia, na Unimed (somente para funcionários).
- Nepal Com o Teatro Fúria, de Cuiabá (MT). Às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413). Dois sobreviventes da Terra se encontram no Nepal e tentam modificar as antigas convenções sociais nos dois últimos dias que lhes restam.
- Túfuns Com Mariana Muniz, de São Paulo. Às 22 horas, no Núcleo I (Rua Quintino Bocaiúva, 1243).
* Os ingressos custam R$ 10,00 estudantes, idosos e funcionários da UEL pagam R$ 5,00.


