Na última quinta-feira, cerca de 600 alunos da Rede Pública de Ensino de Londrina embarcaram em uma viagem de trem rumo ao passado. O destino era a Londrina dos anos 20 e 30, desbravada pelas primeiras expedições da Companhia de Terras Norte do Paraná. Em cada estação, a descoberta de objetos e materiais representativos do cotidiano dos cidadãos londrinenses e da região, desde os primeiros colonizadores.
A viagem pelos primórdios de Londrina ocorreu no interior do Museu Histórico Pe. Carlos Weiss como parte da programação do projeto ''Tem Criança no Museu'', já em sua sétima edição. O projeto foi lançado em outubro de 2001 pela Sociedade Amigos do Museu, hoje Associação dos Amigos do Museu - ASAM e a Direção dos Museus. ''Tem Criança no Museu'' é voltado ao desenvolvimento de atividades histórico-culturais destinadas à educação patrimonial, buscando o envolvimento de estudantes de terceiras séries do ensino fundamental, no contexto das comemorações do Dia da Criança. Segundo a diretora do Museu, Angelita Marques Vilsalli, o projeto oportuniza o envolvimento das crianças com a história de Londrina, como reforço de aprendizagem da disciplina História do Município. ''A proposta é, sob uma perspectiva lúdica, fazer com que as crianças comecem a desenvolver a idéia de construção da memória, reconhecendo nos objetos expostos algo que lhes diga respeito'', salienta.
O dia de festa no Museu Histórico começou já do lado de fora. Os visitantes foram recepcionados pela Banda de Músicos de Londrina. Em seguida, curtiram as apresentações da Caravana Ecológica, os taikos do Grupo Eissá - Associação Cultural e Recreativa Okinawa Londrina (ACROL) e as demonstrações de rapel e tirolesa com o 3º Grupamento de Incêndio do Corpo de Bombeiros de Londrina. As galerias e setores foram divididos em seis estações, cada qual identificada por uma cor. A visita a cada uma delas durou cerca de 25 minutos. Um arco de balões vermelhos indicava a entrada na Galeria Histórica Horácio Sabino Coimbra, que abriga a Exposição de Longa Duração.
Equilibrando um livro sobre a cabeça, a pioneira Quitéria Vicentini recepcionou os grupos. Ela apresentou Londrina desde os tempos em que era habitada pelos índios caingangues e guaranis até a explosão econômica da ''pequena Londres'' com o café e a modernidade na vida urbana. Os alunos identificaram neste espaço uma urna funerária utilizada nos rituais indígenas de sepultamento, uma réplica de um rancho de palmito, moradia simples construída pelos próprios pioneiros, instrumentos utilizados pelos desbravadores, reproduções de estabelecimentos comerciais da época, tais como alfaiataria, marcenaria, barbearia. Em sua primeira visita ao Museu, Lucas Matos, nove anos, da Escola Estadual Kazuco Ohara, gostou das fotos de automóveis antigos. ''Pelas fotos e objetos constatei que a cidade cresceu muito. É um processo interessante'', afirma. Amanda Maria Fonseca, nove anos, identificou algo que lhe era familiar entre os objetos: uma máquina de costura igual a da avó.
Na estação azul (Galeria de Mostra Temporária) os alunos visitaram a Exposição ''Tempo de Cordel'', do Grupo de Pesquisa Literatura de Cordel da UEL. A universidade possui uma coleção composta de 3.500 títulos, uma das maiores do mundo. Seguindo a explicação do monitor, as crianças conheceram folhetos de cordel e a exposição de xilogravuras de vários artistas. Logo após ouvirem ''A Chegada de Lampião ao Céu'', de Rodolfo Coelho Cavalcanti, as crianças eram convidadas a participar da Oficina de Xilogravura (processo de gravação em relevo que utiliza como matriz a madeira e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou outro suporte adequado) na estação alaranjada. A tarefa era soltar a imaginação e desenhar algo que remetesse à história contada.
O Setor de Objetos, indicado pela cor amarela, revelou as mais variadas categorias de objetos e materiais representativos do cotidiano dos cidadãos londrinenses e da região. Segundo o museólogo Ninger Marena, o setor é conhecido como a reserva técnica do Museu, composta por material que ainda não foi para exposição e precisa ser conservado em condições ideais de temperatura e umidade. Entre os mais de 3.500 objetos destacam-se restos de uma urna funerária indígena, diferentes exemplares de relógios domésticos, oratórios budistas, máquinas de escrever, lampiões, projetores de filmes, aparelhos radiofônicos movidos a válvula. ''São documentos que contam a trajetória da civilização'', sintetiza Marena. Aguimara Caetano da Silva, nove anos, do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, gostou dos lampiões e roupas utilizados pelos pioneiros. ''Tudo era tão diferente. Mas não gostaria de viver nesta época. Havia muita sujeira e as casas eram pequenas'', opina.
A viagem ao passado de Londrina ainda teve direito a uma parada na estação verde, com a apresentação do vídeo ''A História de Londrina'', e rosa, na saborosa ''Hora do Lanche''. Para registrar na memória este dia especial, os alunos estão sendo incentivados pelos professores a redigir uma redação sobre as atividades vivenciadas no Museu. Os professores farão uma pré-seleção, entregando no Museu até o dia 13 de novembro, ao Departamento Cultural da Associação dos Amigos do Museu, as cinco melhores redações de cada turma. Estas serão analisadas pelo professor Donato Parisoto, membro da ASAM, que selecionará as três melhores. A que obtiver a primeira colocação será publicada no Jornal Notícia da Universidade Estadual de Londrina.

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