Dia de espetáculos para adultos e crianças
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de março de 2002
Zeca Corrêa Leite Equipe da Folha 
Curitiba - A sociedade impõe suas regras, cria suas normas e ai de quem sair dos padrões impostos. Norma, que hoje tem estréia nacional no Teatro Sesc da Esquina, às 21h30, dentro do 11º Festival de Teatro de Curitiba, aborda esse aspecto do engessamento comportamental. O título da peça estrelada por Ana Lúcia Torre e Eduardo Moscovis, tem indiscutível ironia. Ela abre-se às interpretações mais variadas, em torno do tema. Aviso ao público: os ingressos estão esgotados.
Norma é uma mulher comum beirando os 50 anos, tem seus parâmetros regiamente estabelecidos e, por acaso, se vê à frente de um jovem que ainda não chegou aos 30. Renato (Moscovis) é o ex-inquilino do apartamento para onde ela está mudando, que foi ali por um motivo banal. Pronto, o destino deu mais um nó na trama que vai se estender sutilmente a futuros acontecimentos.
O espetáculo fala principalmente das relações humanas, das dificuldades que as pessoas encontram em seus relacionamentos, disse Ana Lúcia à Folha 2. Sua personagem cresceu dentro de determinados padrões e por mais incômodos que eles sejam, é assim que devem ser mantidos. Porém, há um histórico comum em seu passado e no de Renato, mas ele conseguiu superar os obstáculos, ela não.
Norma questiona o tipo de vida dele; ao mesmo tempo ele questiona a maneira dela viver. Há um encontro e um confronto entre os dois, continua a atriz. É claro que nessas idas e vindas de pontos de vista conflitantes, vai se delineando mais e mais o amor entre os dois. Essa é outra ponta do drama a ferir a mulher: é impossível apaixonar-se por um rapaz trazendo nas costas todos estes anos.
É claro que o medo não está no sentimento brotado na alma; o que dói é pensar naquilo que os outros vão falar. O julgamento social é determinante: A sociedade é preconceituosa, diz Ana Lúcia. É uma caminhada por zonas obscuras e delicadas, mas que clareia depois de muita discussão e questionamentos mútuos. Ambos saem ganhando nessa parada.
A dupla Ana Lúcia/Eduardo Moscovis trabalha junto há dois anos. Na montagem de Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, a atriz fez o papel de mãe de Moscovis. Depois encontraram-se novamente na novela O Cravo e a Rosa e deste novo projeto o grande ganho para Ana Lúcia está na amizade que fez com o diretor (e co-autor do texto), Tonio Carvalho. É uma pessoa sensacional, sublinha.
Outra atração de hoje no 11º FTC é Chapeuzinho Vermelho, que abre a Mostra Infantil. A elogiada adaptação do clássico pela companhia Le Plat du Jour, de São Paulo, será apresentada hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Fernanda Montenegro.
Vencedor do grande prêmio da crítica da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) na categoria teatro infantil, o espetáculo traz duas palhaças que descobrem um armário cheio de chapéus coloridos que as conduzem a um mundo de fantasias. Com a troca de chapéus, as atrizes Alexandra Golik e Carla Candiotto vão incorporando os cinco personagens da fábula (Chapeuzinho, mãe, avó, filha, caçador e lobo).
Dirigida por Fernando Escrish, a montagem reconta a história em 50 minutos de uma forma original, utilizando recursos que vão de coreografias de dança e movimentos clownescos, passando pelo canto, teatro físico, farsa, mímica até a manipulação de objetos. O resultado é uma versão pouco convencional desse clássico da literatura infantil.
Serviço: Norma de Dora Castellar e Tonio Carvalho. Direção de Tonio Carvalho. Com Ana Lúcia Torre e Eduardo Moscovis. Hoje, às 21h30, e amanhã, às 20 horas, no Teatro do Sesc da Esquina. Os ingressos estão esgotados.
Chapeuzinho Vermelho Espetáculo infantil da companhia Le Plat du Jour. Criação, adaptação e roteiro: Le Plat du Jour. Direção: Fernando Escrish. Com Alexandra Golik e Carla Candiotto. Hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel). Ingressos a R$ 10,00.


