Dia da música é uma homenagem a Santa Cecília
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de novembro de 2000
Padre Arisitides Deretti Especial para a Folha 2 
A música é tão útil como o pão e a água (Villa Lobos).
Hoje celebramos o martírio de Santa Cecília, acontecido em 225. Desde o século 15 a Igreja a considera padroeira da música sacra. Um escrito de Plutarco diz: Tinha Cecília Metela, além de sua grande beleza, outros dotes ... tocava muito bem a lira.
Música é a palavra de origem grega (Mousiké) e quer dizer: Arte das Musas. A música é a nossa mais antiga forma de expressão, mais antiga que a linguagem e a arte. Começamos ouvindo, bem antes de falar e ver. O batimento do coração materno, foi ouvido durante a vida intrauterina e ficou impresso em nossa alma como o mais primitivo dos ritmos. Há hospitais que recorrem ao som de batimentos do coração, para aquietar crianças. E já adultos, os humanos inventam a percussão, o tambor e daí a criar outros instrumentos musicais, foi questão de tempo e evolução técnica.
Para os chineses a música é necessária para educar o coração humano. Afirmam que no lar onde há música, há afeição entre pais e filhos. Para o público, ela cria harmonia entre as pessoas.
A música e a Igreja o Cantochão
A Música é o Pressentimento das Coisas Celestiais . (Beethoven)
Na antiguidade a música manteve em geral uma caracterristíca monódica, isto é, peça musical para uma só voz. Os conjuntos cantavam em uníssono. Nos cânticos dos primeiros cristãos, estão as sementes da monódia cristã, sua inspiração eram os Salmos. Era um exemplo de perfeição e equilíbrio, exprimindo com requintes as menores graduações dos textos, segundo um ritmo livre. A música monódica foi vocal e, graças à Igreja Católica, ela se desenvolveu. A monódica era só cantada e os instrumentos, considerados bárbaros, lascivos e diabólicos, eram proibidos. Surgia assim o embrião do cantochão.
As notas musicais
As notas musicais ou neumas (palavra que vem do latim, que por sua vez deriva do grego pneuma e quer dizer: sopro, ar que sai dos pulmões) começaram a ser introduzidos nos textos sacros por volta do século 9 e foram desenvolvidos principalmente nos mosteiros. Era o cantochão ou gregoriano, em homenagem ao Papa Gregório I, que no século 6 disciplinou a música para o uso litúrgico e por mil anos ficou intocável.
A notação primitiva, não tinha linha de referência. Passa-se depois a usar uma linha única, reta e horizontal, que representava o UT ou dó, que era o primeiro tom do modo em que o canto devia ser cantado. Esse dó podia ser movimentado para cima ou para baixo.
Música e músico...
O monge Hucbaldo (840 930), autor do trabalho De Harmonica Institutione, estabeleceu a pauta de quatro linhas. Começava-se a inventar formas de notação musical. Em seguida, o beneditino italiano Guido DArezzo (995 1050), completou a pauta de quatro linhas, atribuindo às notas os seus nomes, tirados das sílabas iniciais de um hino a São João Batista. O hino, em Latim era o seguinte: Ut queant laxis Resonare fibris Mira gestrorum Famuli tuorum Solve polluti Labii reatum Sante Ioannnes. Ou, conforme a tradução: Para que os lábios manchados dos teus servos, possam ressoar a cordas soltas, as maravilhas dos teus feitos, apaga as suas culpas, ó São João.
No século 17 o UT passou a ser dÓ, em homenagem a João Batista DOni.
O primeiro piano foi inventado e construído em 1739, pelo padre toscano Domingos Del Mela. Em 1768, Johan Christian Bach, realiza o primeiro concerto público de piano na Inglaterra.
A eterna linguagem universal
Os monges e os noviços cantavam, como requer a regra do canto, com o corpo reto, a garganta solta, a testa voltada para cima, o livro quase a altura dos ombros, de modo que se pudesse lê-lo sem que, abaixando a cabeça, o ar saísse com menor energia do peito. Aquelas vozes pareciam dizer-me que a alma não podendo resistir a exuberância do sentimento, através dele lacerava-se para exprimir a alegria, a dor, a laudação, o amor, com ímpeto de sonoridades suaves.
Entretanto, o obstinado enfurecer-se das vozes, não esmorecia até que aquele túnico tumultuar de uma só nota, pareceu vencido... e dissolveu-se num majestoso e perfeitíssimo acorde. (Umberto Eco O Nome da Rosa).
Celebrando a paz ou datas festivas, a música faz parte da vida de todas as pessoas, em todo o mundo. É a única forma de expressão que influi sobre os sentidos, o coração e o espírito é a eterna linguagem universal.


