Dhomini quer gastar os R$ 500 mil com cautela
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Um goiano místico e meio simplório foi o vencedor do terceiro ''Big Brother Brasil'', da ''Rede Globo''. Dhomini começou a comemorar aos pulos, dentro da casa. Ele vai ganhar R$ 500 mil, um carro e não sabe o que vai fazer com os dois. ''Nunca tive tanto dinheiro para administrar'', confessou. ''Vou dar o dízimo à Esfera (grupo místico a que pertence, sediado em Goiás) e investir o resto de modo a gerar uma renda para mim e meus pais.''
A professora baiana Elane ficou em segundo lugar e também é cautelosa. Ela ganhou R$ 30 mil, mas considerou o melhor prêmio a bolsa de estudos em uma universidade (não se divulgou qual) para completar sua formação. ''Não sei se ser professora é a minha carreira. Sou muito nova ainda para essa escolha'', disse. Ela não pretende continuar em Itanhém, município do interior da Bahia. ''Ainda não sei para onde vou, mas será uma capital brasileira. Tudo é tão recente que não tive tempo para pensar.''
O programa começou depois das 22 horas de anteontem com o pequeno auditório (bem menor do que a colocação das câmeras faz crer) lotado e os parentes dos dois finalistas na arquibancada, com os outros 12 participantes dessa edição do ''BBB''. Dilsinho ficou de fora, pois desistiu na primeira semana. ''Ele saiu porque quis e não participa de mais nada do programa'', explicou o diretor, Boninho. ''Como diretor, foi essa a minha decisão.''
O RPM fez um show durante o programa, enquanto o apresentador, Pedro Bial, se esgoelava para animar a platéia. Bial, aliás, foi a nota desafinada da noite. Na entrevista coletiva que os finalistas e a direção do ''BBB'' deram após o programa, ele ameaçou com uma ação judicial os jornalistas que tentavam saber com Dhomini sobre os processos criminais em que ele está envolvido.
''Processe essa gente que você vai ganhar muito dinheiro'', recomendou ao vencedor, que acabava de ser premiado com R$ 500 mil. Dhomini negava saber de qualquer problema com a Justiça. ''Estou aqui há 78 dias, vocês podem me contar o que acontece lá fora?'', pedia.
''São dois processos, um anterior ao início do programa, em que Dhomini aparece como vítima, e outro posterior, em que ele é réu'', explicou Boninho para acalmar Bial. ''Pesquisamos a vida de todos os que participam do programa e foi isso que apuramos.''
Ao contrário de outros participantes dos três ''BBB'' e da mesma forma que seu conterrâneo Rodrigo, vencedor da segunda edição, Dhomini garantiu que não pretende aproveitar a fama que o programa lhe deu, nem para tentar uma carreira política, como foi aventado enquanto ele estava recolhido nos estúdios do Projac. ''Vou perguntar ao Isto (líder do grupo místico Esfera) o que fazer e seguir suas recomendações'', adiantou. ''Mas vou comprar um caminhão para meu irmão que não trabalha com veículo próprio, esperar a cabeça esfriar e ver como vou gastar esse dinheiro.''
O resultado do ''BBB3'' satisfez a direção da emissora, que tem planos para pelo menos mais dois reality shows em 2003. O ''BBB4'' será em janeiro de 2004 ou, se possível, ainda este ano.
Boninho informou que já grava ''Crime'', em que os participantes são ao mesmo tempo suspeitos e investigadores de um assassinato fictício, dramatizado por atores profissionais. A estréia está marcada para 27 de maio e a duração prevista é de dois meses e meio, informou o diretor. ''Vamos ter ainda outro programa, mas ainda estamos em fase de decisão.''
Enquanto isso, o ''SBT'' prepara o lançamento de ''O Conquistador do Fim do Mundo'', produção internacional gravada na Patagônia (sul da Argentina), negocia ''Protagonistas de Novela'', que descobrirá talentos dramáticos (assim como ''Popstars'' lançou o grupo Rouge), e faz o maior segredo sobre a nova edição de ''Casa dos Artistas''.


