Nelson Sato
De Londrina
Pavement atravessou dez primaveras. É a banda alternativa mais influente dos anos 90. Com o fim dos Pixies e do Nirvana, foi a que sobrou para contar a história de uma geração largada entre a desilusão e o cinismo.
Seu novo e quinto álbum, Terror Twilight, acaba de chegar às lojas pela gravadora Trama. O título inaugura no País os lançamentos do selo independente norte-americano Matador, cujo primeiro pacote inclui também discos dos grupos Pizzicato Five e Arsonists.
Pavement nasceu em Stockton, perto de São Francisco, na Califórnia. É liderado pelo vocalista e guitarrista Steve Malkmus, que ganhava a vida como funcionário de um museu de arte até decidir recrutar um garçom, um estudante, e um motorista de caminhão para montar a banda. Oscilando entre a melodia e o barulho, o grupo parece cada vez mais contido em suas últimas canções.
As guitarras hoje soam até polidas se comparadas aos acordes sujos e nervosos do disco de estréia, Slanted and Enchanted, lançado em 1991 e eleito na época o melhor da temporada pela revista Spin. O rótulo lo-fi (baixa fidelidade), já aplicado ao quarteto, não funciona mais. Terror Twilight enterra a sonoridade tosca de estúdio caseiro.
Foi gravado em 24 canais com produção de Nigel Godrich, o sujeito responsável por Ok Computer, do Radiohead. Não é o ‘‘disco do ano’’, título que fica com o novo dos Flaming Lips, mas traz uma bela coleção de canções pop. Candura melódica, vocais à beira da desafinação e flertes com o country e o folk dão o tom do material.
Vá até uma loja, pegue os fones e ouça pela ordem (ou peça para o balconista colocar) as faixas ‘‘Carrot Rope’’ (escolhida para o primeiro single e primeiro clipe), ‘‘Major Leagues’’ e ‘‘Spit On a Stranger’’. Quer apostar que você vai sair de lá com menos 22 paus no bolso?

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