Dividido entre luz e trevas, o século 19 conviveu com a genialidade de Albert Einstein e com a brutalidade de Adolf Hitler. O conturbado período está retratado em obras de diversos autores que discorreram sobre o contexto social, político e econômico de sua época. Para o escritor, roteirista e poeta paulistano M. R. Terci, dez obras publicadas naquela época e que traduzem adequadamente a treva e a luz para o idioma humano.

M.R.Terci: autor de nove livros e centenas de contos de terror, ele criou uma lista de obras que ninguém pode deixar de ler
M.R.Terci: autor de nove livros e centenas de contos de terror, ele criou uma lista de obras que ninguém pode deixar de ler | Foto: Divulgação



O primeiro livro destacado por ele é "Frankenstein", ou o "Prometeu Moderno", lançado em 1818 pela escritora britânica Mary Shelley. "Arrebatado por uma sociedade cientificista e encantado com a alquimia medieval, um estudante brilhante e pouco ortodoxo decide trazer de volta à vida um ser humano feito de partes de diferentes homens. Quando atinge seu objetivo é tomado de horror e foge, abandonando sua criação. O monstro decide ir atrás de seu criador, mas é novamente rejeitado e, amargurado pelo modo odioso com que é tratado pelas pessoas, inicia a mais cruel das vinganças através da perseguição que os leva a um inevitável fim trágico", resume.

Terci também cita "O Conde de Monte Cristo", do escritor francês Alexandre Dumas. "Vítima e vingador, Edmond Dantès, o personagem central, encarna ele próprio, o destino. A história de um bom homem a quem roubam a liberdade e o amor. No cativeiro trava amizade com o abade Faria, que lhe oferece ajuda para a fuga.Um homem que regressará coberto de riquezas, vingador impiedoso, para além de toda a lei humana ou divina", afirma sobre o livro publicado em 1844.

A lista conta com ainda "Moby Dick", do norte-americano Herman Melville, que chegou ao mercado literário em 1851. "Moby Dick é uma temida baleia branca que desafia seus caçadores. O Capitão Ahab, em uma das tentativas de matá-la, perde a perna e jura-lhe vingança ou a destruição de seu navio. A bordo do baleeiro Pequod, o demoníaco capitão percorrerá grandes distâncias até encontrar Moby Dick e o derradeiro destino do Pequod e sua tripulação".

Abordando questões envolvendo justiça, racismo, escravidão, "Grandes esperanças" publicado em 1860 pelo escritor inglês Charles Dickens também integra o ranking. "O livro narra a vida de Pip, um rapaz a quem foi concedida uma fortuna a fim de se tornar um cavalheiro sem o árduo esforço ou a aristocrática fonte de renda necessários para tal papel. Sobretudo, um romance de redenção e perdão entre seus personagens", diz Terci.

O escritor e filósofo russo Fiodor Dostoievski comparece com "Crime e castigo", lançado em 1866). "Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petersburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria como grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela história", destaca. O também russo Leon Tolstói é lembrado por "Guerra e Paz", escrito entre 1865 e 1869. "Ambientado na Rússia do início do século 19, o romance lida com temas essenciais à vida contemporânea: a guerra e a paz. Tolstói narra as guerras entre o imperador francês Napoleão e as principais monarquias da Europa, dissecando causas, origens e conseqüências dos conflitos e, principalmente, expondo os homens e suas fraquezas", ressalta.

Regeneração de 1851 ocorrida em Portugal é um dos temas do livro "As Farpas", escritor por Eça de Queirós e publicado em 1871). "Uma admirável caricatura da sociedade da época, fruto da raiva sentida por uma nova geração diante da burguesia que se instalara no poder após a e todas as suas repercussões, não só a nível político, mas também econômico, cultural, social e até moral", afirma Terci.

A lista do paulistano inclui ainda "Um Estudo em Vermelho", de 1887, escrito pelo britânico Sir Arthur Ignatius Conan Doyle. "Uma obra de ritmo vertiginoso de suspense e mistério que propõe um enigma terrível e invencível para a polícia". E termina com outros dois clássicos: "Dom Casmurro", do brasileiro Machado de Assis, lançado em 1899; e "O Retrato de Dorian Gray", do inglês Oscar Wilde, publicado em 1890. "O belo jovem Dorian Gray, o protagonista, torna-se modelo para uma pintura do artista Basil Hallward. O pintor apresenta Dorian ao Lorde Henry Wotton, que o faz tomar consciência de sua beleza e do valor de sua juventude e o inicia num mundo de vícios e desregramento. Apaixonado pela própria imagem, Dorian deseja permanecer eternamente belo como no retrato. Misteriosamente, seu desejo é atendido", conclui.

Autor de nove livros e centenas de contos de terror, M.R. Terci é o criador da série "O Bairro da Cripta", lançada anteriormente pela LP-Books e que reforçou seu nome como um dos principais autores brasileiros de horror da atualidade. Com base em fatos históricos, Terci substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, numa verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira.

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