Dez anos sem o poeta da Geração Coca-Cola
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de outubro de 2006
Márvio dos Anjos<br> Folhapress 
Por que Renato Russo é tão influente e importante, dez anos depois de morto? Líder dos mais instigantes do rock nacional, Renato criou em torno de si uma aura. Suas entrevistas eram disputadas pelos fãs, suas performances eram entrega pura.
A Legião Urbana era um culto; talvez impensável e anacrônico para os nossos dias de sarcasmo e desilusão política, mas, num país sedento por diretas e pelo tetra com Telê, funcionava como funcionaram na Inglaterra Smiths e U2.
É a partir daí que, vendo ''Renato Russo - Uma Celebração'', que o Multishow dedica ao cantor, surge a dúvida: para que servem esses tributos?
Poucos números realmente celebram a memória do cantor, como Cidade Negra (''Geração Coca-Cola'') e Plebe Rude (''Química''), mas muita gente parece estar ali apenas para aproveitar a chance no mainstream antes que a sopa acabe. Fazem desnecessários apelos, pois ignoram que a Legião foi grande por ser visceral, pulsante e até autoritária. Renato não servia aos fãs; servia à sua obra.
Como não houve a bênção dos legionários Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, as melhores canções da Legião - de autoria tríplice - ficaram de fora. Paupérrimo, o tributo acaba por custar caro ao espectador.
Serviço
- Especial ''Renato Russo - Uma Celebração''. Hoje, às 14 horas, no canal pago Multishow.


