É a vez do Mudhoney. A banda desembarca hoje em Curitiba, onde se apresenta a partir de 23 horas, no Moinho São Roque, cinco dias depois da (já) memorável passagem do Yo La Tengo por Maringá. A invasão norte-americana prossegue mês que vem com o show do Bad Religion, previsto para o dia 15 na casa noturna Forum na capital. Apesar da empolgação dos fãs e da crítica especializada, Mudhoney chega ao país com um atraso de pelo menos uma década, período que demarca o apogeu e a posterior diluição da cena ‘‘grunge’’ que revelou a banda para o mundo.
Combinando atitude punk e rock de garagem dos anos 60, o quarteto de Seattle já lançou seis álbuns, todos encharcados de vocais gritados e guitarras encardidas – marcas do grunge. O último, ‘‘Tomorrow Hit Today’’, é de 1998. Na última temporada, a banda voltou às lojas com o lançamento das coletâneas ‘‘March to Fuzz’’ (reunindo 52 músicas, entre singles e raridades) e ‘‘Here Come Sickness: The Best of the BBC Recordings’’ (com gravações ao vivo feitas em 1989 e 1995).
Também no ano passado, o grupo foi notícia com sua dissolução (que seria apenas temporária) após a saída do baixista Matt Lukin, que preferiu cuidar de sua profissão de carpinteiro a sair em cansativas turnês pulando de hotel em hotel. Recentemente, ele retornou ao grupo para acompanhar os amigos numa excursão pelos Estados Unidos descartando viagens para o exterior. Nos shows pela América do Sul, será substituído por Steve Dukich, um amigo da turma.
A formação da banda já virou lenda no mundo alternativo, mencionada todas as vezes em que é descrita a cena musical de Seattle durante a gestação do grunge. Os guitarristas Mark Arm e Steve Turner vinham do Green River, onde tocavam também Stone Gossard e Jeff Ament, que depois fundariam o Pearl Jam. O baterista Dan Peter havia passado pelo Screaming Trees enquanto o já citado Matt Lukin largara o Melvins.
Em meio a essa intensa troca de integrantes, o selo Sub Pop foi se tornando o aglutinador das bandas e núcleo gerador do movimento que alcançaria as paradas no começo da década de 90 desbancando Madonna e Michael Jackson dos primeiros postos da Billboard. Quando o Nirvana lançou o álbum ‘‘Nevermind’’, em setembro de 1991, o mundo inteiro se curvaria ao estilo.
Na época, a expressão grunge passaria a designar também um certo desleixo do vestuário dos músicos que incluía cabelos desgrenhados, camisas de flanela xadrez e calças puídas. A explosão do movimento pegou o Mudhoney já com três álbuns gravados, todos pela Sub Pop. Mas nem a badalação da mídia mundial e o sucesso do Nirvana e do Pearl Jam alavancaram a carreira do grupo, que continuou à margem da popularidade súbita alcançada pelos colegas.
O quarteto, na verdade, sempre pareceu meio displicente em relação à banda. Seus integrantes nunca pareceram levá-la muito a sério, no sentido burocrático do termo. Não por acaso, Matt Lukin prefere priorizar sua profissão de carpinteiro enquanto os dois guitarristas optam por dividir as atividades musicais investindo no projeto paralelo Monkeywrench. Talvez seja por isso que o jornalista e escritor André Barcinski tenha ficado tão impressionado ao assistir os shows da banda. ‘‘Os shows do Mudhoney são alguns dos mais divertidos que já vi na vida. Parecem mais ensaios, não shows’’ – escreveu ele no livro ‘‘Barulho – Uma Viagem pelo Underground do Rock Americano’’, publicado em 1992.
•: Show do Mudhoney. Hoje, a partir de 23 horas, no Moinho São Roque (Av. Des. Westphalem, 4.000), em Curitiba. Fone: (41) 333-3964. Ingressos: R$ 15,00 antecipados e R$ 20,00 na portaria. Mais informações através do seguinte endereço eletrônico: [email protected].

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