Um festival que durante nove dias divulga a música independente, com uma estrutura de vários palcos para as bandas e contando com uma organização de mídias integradas, aliadas com uma postura formadora de opinião; tudo para fortalecer o cenário musical independente. Este é o Demo Sul, que chega à décima edição como o maior expoente da música independente no Sul do País. Mas nem sempre foi assim.
Os pais do festival - que teve seu primeiro experimento com o nome 'Londrina Underground', em 1995 - nunca imaginaram que aquela ideia entre amigos algum dia teria tamanha repercussão. ''Nós dois tocávamos em bandas e sempre fomos envolvidos com a música em geral. Pouco a pouco fomos percebendo que em Londrina não existia um espaço para a música independente'', relembra Marcelo Domingues, que concebeu o projeto juntamente com seu amigo Luiz Matias. ''Eu pensava na época: se acontecer um festival na cidade, os jornalistas e as gravadoras vão aparecer e todo mundo vai se dar bem. Mas não foi desse jeito'', comenta Domingues, rindo ao pensar nas dificuldades e contratempos dos primeiros anos do Demo Sul.
''No princípio o que nos impulsionou bastante é que havia um potencial na cidade para o formato, e um público que queria ouvir bandas que tinham um trabalho autoral'', acrescenta Matias. Ele observa que a abrangência do evento cresceu junto com o fortalecimento do cenário em escala global, onde a internet e a acessibilidade aos mais variados estilos musicais tem um papel fundamental. ''O show não é mais um fato isolado; é algo que tem a ver com a estrutura da cultura urbana. A ideia do Demo Sul nunca foi ser apenas um festival de música.''
Com o passar do tempo, o festival associou-se à Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), e foi gradualmente adquirindo fama e recebendo cada vez mais músicos de todo o país e do exterior. Outra iniciativa importante que acompanhou o desenvolvimento do festival nesses anos é a promoção de seminários, palestras e workshops por toda a cidade.
Uma pessoa que acompanhou esse crescimento de perto foi o guitarrista Marco Tureta, que se apresentou como músico em 2001 - na primeira edição do festival - e neste ano irá ministrar o workshop ''Guitarra Rock''. ''O Demo Sul ficou maior em todos os sentidos, tanto no nível de produção dos shows como na ideia de trazer várias outras coisas relacionadas ao mundo da música independente'', explica o músico, que acredita que o festival independente deve ser reconhecido como um dos mais importantes do país. ''Não é só mais um festival de bandas em que o cara entra, toca e vai embora. Com dez anos, o Demo Sul cresceu e deixou de ser criança.''
Entre altos, baixos, graves e agudos, o Demo Sul já caminha com as próprias pernas, sempre de olho nas mudanças da cena musical. ''O crescimento do cenário é completamente sincronizado com o desenvolvimento das redes sociais. Já não existe mais um som que seja literalmente 'underground', difícil de ser encontrado'', analisa Luiz Matias, que reitera o impacto que a comunicação entre os artistas e o público pode causar na cultura musical. ''O cenário independente pode ser desenvolvido e sustentado dentro de si mesmo. É uma questão de unir forças e vontades afins'', sugere.

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