Dez anos de 'caras-pintadas'
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terça-feira, 13 de agosto de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A primeira passeata a gente nunca esquece. É o que muitos rapazes e moças vão pensar ao bater o olho nesta matéria, exatamente dez anos depois dos célebres protestos estudantis que pediam o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.
O movimento dos ''caras-pintadas'', como foram chamados pela imprensa na época, está completando uma década este mês. Quem não se lembra? Em algumas capitais, chegou a juntar até 300 mil jovens nas ruas, a maioria deles alunos de ensino médio.
''Eu era criança, não vi nada. Mas sei que foi um momento histórico muito importante com a juventude cobrando uma postura dos políticos'' diz Rafael Augusto Silva, 20 anos, atual presidente da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES).
Comparando o passado com o presente, ele vê apatia no atual movimento estudantil, embora ressalte algumas manifestações pontuais recentes que dão esperança aos futuros ativistas. Só no primeiro semestre do ano, a ULES esteve envolvida em dois eventos de peso: um protesto contra a privatização da Copel que deu o que falar na Assembléia Legislativa e a campanha ''Voto aos 16'' que promoveu arrastões cívicos levando cerca de mil alunos para tirar o título de eleitor.
''E agora estamos levando a discussão da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) para dentro das escolas'' informa ele. Sua gestão à frente da entidade acaba em novembro. Diz que está deixando a diretoria com 16 grêmios estudantis organizados na cidade, além de mais sete comissões pré-grêmio. A situação parece ser a mesma no resto do país.
Basta uma convocação, para que os estudantes saiam de novo para as ruas. Foi o que ocorreu, por exemplo, no último domingo em Maceió (AL) quando cerca de cinco mil secundaristas e universitários protestaram contra a volta do ex-presidente Collor, do PRTB. Collor disputa o governo do Estado. Com as caras pintadas, os estudantes fizeram uma caminhada com um caixão simbolizando o enterro do político e portando faixas com frases do tipo ''não melle seu voto'', ''cadeia nelle'' e ''câncer de Collor mata''.


