Depois que o Multishow adotou uma postura mais voltada para o humor e largou sua "veia" musical, coube ao BIS ser o "braço" da Globosat dedicado à música. Além de shows, clipes e algumas reproduções de outros canais, o canal começa a arriscar em suas próprias produções. Foi assim com a bem-sucedida empreitada do "Inesquecíveis", que relembrava um ritmo brasileiro a cada episódio. A "bola da vez" agora é o "Samba pra Sempre", que estreia hoje. Uma coprodução do BIS com a Eco Mkt & Co, o programa celebra os 100 anos do samba.
Dudu Nobre é o anfitrião da festa. Apesar de não ter um apresentador, o "Samba pra Sempre" tem no músico a base para os 12 episódios. "O canal abriu um espaço muito legal para o samba. É um momento de celebrar porque o público é carente dessa exposição musical que é tão importante", define Dudu.
O clima das gravações é o de uma boa roda de samba. Os nove músicos da banda de Dudu Nobre se juntam em forma de meia lua para receber os convidados. A cada episódio, uma personalidade do samba se reúne para contar um capítulo da história do ritmo. Tudo de forma musical e na companhia de três mulatas, como não poderia deixar de ser.
O local escolhido foi o mesmo da temporada do "Inesquecíveis": a casa do diretor Chico Abreia, localizada no Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Com uma vista panorâmica do Rio de Janeiro, cercada de verde e de uma imponente piscina iluminada por luz de velas, a "pegada" do "Samba pra Sempre" é simples e elegante. "A ideia era mesmo trazer esse clima intimista típico das rodas de samba. Fica tudo mais fácil sendo em casa, temos recursos à disposição", pondera Chico.
Além disso, o tempo para a gravação fica mais elástico. "Não podemos apressar os músicos em uma coisa tão subjetiva. Aqui as coisas têm de rolar cada uma no seu tempo. Fica mais gostoso assim", diz o diretor, que contava com três câmeras – uma delas em uma grua – e uma equipe de aproximadamente 60 pessoas.
Por isso, as gravações ocorrem quase sem a interferência do diretor. Chico assiste às apresentações sentado ao lado do operador de áudio. E só pede para voltar caso exista algum erro apontado pelos próprios músicos. Se tudo der certo, as músicas são gravadas apenas uma vez cada uma.
Apesar da descontração, o clima é de profissionalismo. "Já estamos acostumados. Já sei o que o Chico quer que eu entregue e ele sabe o que esperar de mim", afirma Dudu Nobre, que também foi o mestre de cerimônia de um dos episódios do "Inesquecíveis".
O repertório dos programas foi escolhido em uma parceria entre Dudu, Chico e os convidados. O grupo Fundo de Quintal, Tereza Cristina, Jorge Aragão, Xande de Pilares, Neguinho da Beija Flor, Sombrinha, Monarco, Péricles, Nelson Sargento, Arlindo Cruz, Almir Guineto e Rildo Hora formam o casting escolhido a dedo pela produção do programa. "O objetivo era misturar nomes consagrados da velha guarda com músicos mais novos. Sem esquecer dos sambas-enredo", define Chico.
Se gravar era a parte mais fácil do programa, escolher quais músicas entrariam nos quase 30 minutos de cada episódio não foi uma tarefa simples. "Para cada pessoa, eu tinha uma ideia na cabeça. Mas pedia sugestões e aí acabávamos mudando tudo. Teve muito improviso também", jura Dudu Nobre.
Entre as músicas, estão "Vai Lá, Vai Lá", "Quem é Ela?", "Coração Leviano", "Vou Festejar" e "Lucidez", entre outras. Neguinho da Beija-Flor, que entoou "Vou Festejar", samba consagrado e lembrado sempre nas arquibancadas do estádio do Maracanã, afirma que o intuito do programa é a cara do título da música. "Era esse o objetivo. Festejar o samba. E acho que conseguimos", diz o músico, que assistiu às gravações antes e depois de estar com o microfone nas mãos.

SERVIÇO: "Samba pra Sempre" – Estreia hoje, às 20h, no BIS

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