O Oasis pode conquistar o mundo. Mas na própria terra dos irmãos Gallagher quem manda mesmo é o quarteto tecno Prodigy, que enfia um single atrás do outro no topo das paradas.
Em maio alçaram ao pico com ‘‘Firestarter’’. Agora voltam a desbancar as estrelas habituais do primeiro lugar em vendas com ‘‘Breathe’’. O disquinho, que traz quatro músicas, arremata qualquer dúvida a respeito da revolução tramada nas pistas de dança européias.
Como mostram Prodigy, Chemical Brothers, Orbital e outros nomes que aos poucos vão se tornando familiares aos brasileiros, o tecno - em suas múltiplas ramificações - fornece atestado de ignorância a quem ainda atribui mesmice à dance music limitando-a ao famigerado eurohouse que infesta FMs e pick-ups de casas noturnas caídas.
Cabelo A faixa-título apresenta, logo de cara, uma fusão devastadora de tecno com industrial, onde vocais possuídos coabitam com ruídos eletrônicos e guitarras inflamadas. O grupo Pop Will Eat Itself participa da faixa seguinte, ‘‘Their Law’’, gravada ao vivo no Festival de Phoenix, com a zoeira da platéia realçando ainda mais o potencial explosivo da banda.
Em ‘‘Poison’’, performance ao vivo no festival de Tourhout & Werchter, o vocalista Keith Flint grita e urra sobre uma base funk parecendo encarnar um James Brown entupido de ecstasy. Flint é feio de doer. Usa um piercing que atravessa todo o nariz. Lembra o peixe da capa, com seu cabelo achatado no meio e levantado nos lados como se fossem nadadeiras.
Em ‘‘Trick’’, a última faixa, um riff de piano sugere apenas uma vinheta introdutória revelando-se depois hipnótica e interminável. Prodigy é surpreendente. Mas, calma, esse é apenas um single. O terceiro álbum dos malucos deve sair nas próximas semanas. Sai de baixo.

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