Devagar e sempre
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 2014
Luana Borges<br>TV Press 
Nos capítulos de "Em Família", a sensação é de que o tempo passa mais devagar. Sem um conflito forte e contundente que direcione a trama de Manoel Carlos, os personagens, no geral, protagonizam situações triviais do cotidiano, que poderiam até causar identificação com o público. Não fosse pelo fato de que, na novela, é tudo tão corriqueiro que fica difícil acreditar que alguém, com o mínimo de afazeres no dia a dia, possa levar uma vida tão "mansa" como as que são retratadas ali. O que, apesar de tudo, não chega a ser um grande problema. Afinal, é quase impossível se estressar assistindo ao folhetim. Principalmente quando a atenção não está voltada 100% para ele. Porque, se está, aí o tédio é dado como certo. Como pouca coisa acontece na história, levantar do sofá para fazer qualquer outra atividade parece uma opção mais atraente e útil.
O momento que gerava mais expectativa o envolvimento amoroso entre Laerte e Luiza, personagens de Gabriel Braga Nunes e Bruna Marquezine passou "batido". Sem nenhuma empatia, o casal não causou grandes movimentações na história e muito menos chamou a atenção do público. Também, pudera. É difícil para o telespectador mais sensível aceitar que uma filha é capaz de se relacionar com o homem que enterrou seu pai vivo e ainda foi noivo de sua mãe no passado.
Outra trama que prometia era o romance entre Marina e Clara, de Giovanna Antonelli e Tainá Müller. Mas a novela já passou da metade há tempos e nada de emocionante acontece entre as duas. A não ser cenas de carícias que, se fossem trocadas entre um homem e uma mulher, já seriam entendidas como traição, se um dos envolvidos fosse casado, como é o caso. Talvez por isso mesmo, essa história não tenha "engrenado", pelo simples fato de que não agradou.
Mesmo sendo um marasmo só, "Em Família" tem bons momentos garantidos pela interpretação madura de Humberto Martins. O ator conseguiu se desvencilhar por completo da imagem do "caubói galã" que construiu ao longo de seus trabalhos na televisão. E é um dos poucos que surpreende no folhetim das nove. Em contrapartida, os mais inexperientes parecem completamente perdidos. Sob a direção mais solta de Jayme Monjardim, Erika Januza, por exemplo, decora o texto sem se preocupar em dar a ele um tom natural em cena. É compreensível que ela ainda esteja começando na carreira. Mas, em certas horas, uma direção de ator minuciosa faz toda a diferença.


