Destinos inusitados
Matar um personagem nem sempre é uma tarefa fácil. E, em algumas circunstâncias, o apelo do público pode ser fundamental para alterar os rumos da história. Manoel Carlos lembra que teve essa experiência na novela ''Baila Comigo'', exibida pela Globo em 1981. Tudo porque a sinopse previa a morte do médico Plínio Miranda, interpretado por Fernando Torres, por volta do primeiro mês de exibição.
Mas, depois que o fato foi divulgado, o autor não conseguiu matar o personagem em função das inúmeras reclamações feitas por telespectadores na Globo. ''As pessoas diziam que se sentiriam órfãs caso ele morresse. Assim, o Plínio permanceu até o fim e foi um dos personagens de maior sucesso. A opinião do público é fundamental, pois a novela só tem sentido se for vista'', argumenta Maneco.
Em casos mais raros, a morte de um personagem também pode ocorrer em função de um pedido do próprio ator. Foi o que aconteceu com Emiliano Queiroz na época em que fazia a novela ''O Homem Proibido'', escrita por Glória Magadan em 1982. Cansado do trabalho na tevê e decidido a passar um tempo viajando pelo país com a peça ''Navalha na Carne'', ele pediu para a autora matá-lo no meio da trama. ''Atuava sem parar na tevê nos primeiros 10 anos. Até que fiquei muito empolgado com o teatro e minha única saída para aproveitar mais a fase foi pedir para morrer'', relembra.





