DESTINO: CHAPADAS - Diamantina atrai viajantes do mundo inteiro
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Bárbara Souza,Lucas Frasão e Adriana Moreira<br> Agência Estado 
São Paulo - Há quem diga que quem visita a Chapada Diamantina, na Bahia, não volta o mesmo. Seja pelas vistas deslumbrantes ou pelos pés calejados, o fato é que há tanta beleza, riqueza cultural e quilômetros a serem percorridos, que dificilmente alguém vai apenas passar por lá sem sair com uma enorme sensação de ter-se encontrado.
Dizem que a Chapada é mística e também um lugar de aparição de ETs. Mas, diante de sua grandiosidade - são 5 milhões de hectares, 152 mil deles só dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina -, é impossível conhecer sua beleza e suas histórias de uma vez só.
Por ter vegetação, clima e pontos a serem explorados tão diversos, a Chapada pode ser visitada o ano todo. Mas é claro que acaba sendo necessário abrir mão de algumas belezas em favor de outras. No período de chuvas, de dezembro a março, a exuberância das cachoeiras é a grande atração, enquanto a flutuação nos rios e diversas trilhas são prejudicadas.
Em março, quando o tempo está mais seco, é hora de se aventurar por trekkings mais extensos ou pelos morros que muitas vezes ultrapassam os mil metros de altitude, como o Camelo, o Pai Inácio e o Morrão.
Vale do Pati
Muitos guias, entretanto, recomendam a travessia do Vale do Pati, outra grande atração da Chapada, no período de chuvas, quando muitas das suas cachoeiras estão repletas. Prova disso é ter o privilégio de observar 17 quedas-d'água no Cachoeirão.
Essa, aliás, é uma das trilhas imperdíveis do roteiro. Mas atenção: preparo físico e tempo são fundamentais, porque a caminhada dura seis dias. Um convênio entre operadoras e os patizeiros - a comunidade do vale - garante pernoites simples, mas acolhedoras, com comida caseira e banho gelado. Dormir na casa dos patizeiros, além de aproximar o turista da cultura local, ainda permite um espetáculo à parte: ver o céu cravejado de estrelas, dormir ao som das corredeiras e do barulho incessante dos bichos da mata. Tudo tão diferente das grandes cidades...
O roteiro, em geral, começa em Lençóis e termina em Igatu. Ao nascer do dia, a trilha no Pati se inicia com uma caminhada pesada, de 24 quilômetros, a partir do Vale do Capão. O trekking pelo Pati tem 80 quilômetros no total.
Básico
Para quem prefere um roteiro mais tranquilo - e não menos deslumbrante - não pode perder o show da queda-d'água de 340 metros de altura da Cachoeira da Fumaça. São cerca de 6 quilômetros de caminhada para chegar lá.
O espetáculo pode ser visto em qualquer época do ano, mas de duas formas: no período de chuva, o grande volume de água faz a cachoeira ficar mais intensa. Na seca, fica mais fácil entender por que ela ganhou esse nome: a pouca vazão, combinada com a altura da queda, faz com que a água se evapore, e pareça uma fumaça.
De abril a setembro, outra bela atração da Diamantina, o famoso Poço Encantado, em Andaraí, ganha ainda mais brilho. Nesse período, um raio de luz solar invade a gruta e penetra as águas cristalinas da piscina natural, em todas as manhãs. Para preservar o Poço Encantado, só é permitido fotografar e admirar o azul das águas, que chegam a 60 metros de profundidade.
Quem vai a Andaraí tem pelo menos outro motivo para continuar boquiaberto: o Poço Azul. Como no Encantado, as piscinas naturais de águas cristalinas brotam dentro da caverna, com suas formações espeleológicas. Nos dois, sobrevive uma espécie rara de peixe, o bagre albino. No Poço Azul é possível nadar e mergulhar com snorkel.
As formações rochosas que constituem a Chapada Diamantina estão presentes em mais de 50 municípios, o que aumenta as opções de programa. Mas as principais - e mais conhecidas - atrações estão nas cidades de Lençóis, Andaraí, Mucugê e Rio de Contas. Boa parte dos passeios pode ser feita enquanto se estiver hospedado em Lençóis, cidadezinha colorida, com casas de pau-a-pique erguidas por volta de 1845, às margens do Rio Serrano, por conta da descoberta de diamantes.
Chapada das Mesas
Ela pode até não ser tão conhecida como as outras - sua tradição turística só se firmou há cerca de dois anos, com a criação de um Parque Nacional -, mas a Chapada das Mesas, no extremo sul do Maranhão, reserva verdadeiros templos de beleza natural aos ecoturistas. Lá, o destaque vai para as cachoeiras - e são muitas.
Com rios perenes e temperaturas altas o ano inteiro, a região é conhecida como ''paraíso das águas''. Para aproveitar bem todas as atrações, é recomendável ir para lá nas próximas semanas - até abril, quando termina o período de chuvas, as quedas-d'água e as piscinas naturais estarão mais volumosas, boas para mergulhar.
Como outras chapadas, a das Mesas também tem sua cidade de apoio. A bucólica Carolina, fundada no século 19, conserva algumas construções coloniais e tem boa infra-estrutura para o visitante, com restaurantes e pousadas não muito sofisticados, é verdade, mas bem ajeitados. A 220 quilômetros de Imperatriz, base para chegar de avião, e um pouco mais longe da capital, São Luís (cerca de 800 quilômetros), Carolina é o ponto de partida para desvendar o bioma local.
É de lá que saem os passeios para conhecer a Cachoeira da Pedra Caída, a mais famosa do pedaço. A água despenca a uma altura de 46 metros e forma uma piscina natural entre paredões rochosos de até 50 metros. O lugar conta com bar e restaurante.
Não muito longe dali, vale a pena conhecer a queda de 40 metros da Cachoeira Pedra Furada. Durante milhões de anos, a correnteza modelou a rocha, formando uma fenda na pedra. Um espetáculo.
Um pouco mais distante de Carolina (mais ou menos 80 quilômetros), as Cachoeiras de São Romão e da Prata, ambas em um dos rios mais importantes da região, o Farinha, valem um dia de passeio. A de São Romão tem 28 metros de altura, enquanto a da Prata sustenta um conjunto de três quedas-d'água, cada uma com 25 metros.
Na vizinha Riachão, que também faz parte do Parque Nacional da Chapada das Mesas, o Poço Azul é mais um recanto imperdível. Também conhecido como Encanto Azul, é formado por uma grande piscina azul-turquesa entre nascentes que escorrem pelos paredões.
Até o topo
Quem gosta de trilhas também tem opções de programas na Chapada das Mesas. Priorize o trekking que leva até o topo do Morro do Chapéu, o mais alto de lá, com 360 metros de altura. Ali, você terá uma vista espetacular da região e poderá entender o nome da Chapada - entre as esculturas de pedras de diferentes tamanhos, há muitas que lembram, de fato, o formato de uma mesa.
BOXE 2
SERVIÇO:
- Como ir
- Chapada dos Veadeiros
O trecho SP-Brasília-SP custa a partir de R$ 358 na Ocean Air (4004-4040), a partir de R$ 478 na Gol (0300-115- 2121) e na Varig (4003-7000) e cerca de R$ 479 na TAM (4002- 5700). De Brasília até Alto Paraíso, vá de ônibus com a Real Expresso (61 2106-7199) por R$ 57,52 (ida e volta)
- Chapada dos Guimarães
O trecho SP-Cuiabá-SP custa a partir de R$ 488 na Ocean Air, R$ 498 na Gol e R$ 719 na TAM. De Cuiabá, siga de ônibus até a Chapada com a Expresso Rubi (65 3301-1280), por R$ 16,50 (ida e volta)
- Chapada Diamantina
O trecho SP-Salvador-SP custa a partir de R$ 528 na Ocean Air, R$ 552 na Varig, R$ 579 na TAM e R$ 678 na Gol. De Salvador, siga de ônibus até Lençóis pela Real Expresso (11-2142-7100), por R$ 89,96 (ida e volta)
- Chapada das Mesas
O trecho SP-Imperatriz-SP custa a partir de R$ 1.019 na TAM e R$ 1.280 na Gol. De Imperatriz até Carolina, vá de ônibus com a Transbrasiliana (www.transbrasiliana.com.br) por R$ 52,64 (ida e volta)


