São Paulo, 05 (AE) - Dois importantes espetáculos que integraram a mostra oficial do Festival de Teatro de Curitiba passam por São Paulo em apresentações relâmpago. Portanto, é bom não bobear. O aplaudidíssimo monólogo português "É o Mar, Alfonsina, É o Mar!", escrito e dirigido por Tiago Torres da Silva e interpretado pelo ator José Neves, terá apresentação única amanhã (06) à noite no Sesc Pompéia.
No mesmo teatro, "Roberto Zucco", de Bernard-Marie Kolts, dirigido pela alemã radicada no Brasil Nehle Franke e produzido pelo Teatro Castro Alves, terá apenas quatro apresentações neste fim de semana, a partir de quinta-feira. O espetáculo é encenado por dez atores baianos.
O universo da dramaturga e poeta Alfonsina Storni (1892-1935), que se suicidou no mar, inspirou Torres na criação da peça. Em cena, o ator José Neves navega pelo mar em busca da mulher amada, morta no mar. "Ele se transforma em mulher, em mar, em árvore na busca de algo que, ao fim, encontrará dentro dele mesmo", diz o diretor.
Torres ressalta não haver no palco efeitos tecnológicos. As mudanças apoiam-se no corpo, na voz e na emoção de Neves, cujo talento foi muito elogiado pelos críticos presentes ao festival paranaense. "Tive a felicidade de trabalhar com um ator que só aparece de cem em cem anos", afirma Torres. O espetáculo já tem temporadas agendadas em vários países, entre eles Argentina e Canadá, daí a apresentação única em São Paulo.
"Roberto Zucco", a atração seguinte do Sesc Pompéia, baseia-se na história real do italiano Roberto Zucco que, aos 15 anos, matou o pai e ficou dez anos internado num hospício. Ao sair, matou a mãe e dois policiais antes de ser preso. Suicidou-se na cadeia, asfixiando-se num saco plástico.
"Zucco" foi a última peça escrita por Kolts (1948-1989) que utilizou o tema para retratar a banalidade da violência urbana e não buscou em seu texto explicação para a violência do personagem. Em sua concepção, Nehle Franke optou por ampliar a violência do personagem central. "Os outros personagens cresceram e tornaram-se quase rodrigueanos", afirma a diretora. "A idéia foi mostrar que todos são zuccos em potencial, estão igualmente à beira de uma explosão de violência".

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