O brasileiro Marcelo Gomes, o espanhol Angel Corella e a argentina Paloma Herrera, primeiros bailarinos do American Ballet Theatre (ABT), apresentam-se amanhã e domingo em Curitiba, no clássico ''O Corsário'', com o corpo de baile da escola Petit Ballet, no Teatro Positivo.
Primeiro brasileiro a alcançar o posto máximo da companhia com sede em Nova Iorque, Marcelo Gomes vem à capital paranaense pela segunda vez. Em 2001, por ocasião dos 20 anos da escola Petit Ballet, o bailarino estreou na cidade também em ''O Corsário'', no Teatro Guaíra. Para Gomes, ser convidado para dançar com jovens bailarinos no Brasil é uma forma de incentivar novos talentos, a exemplo dele, que deixou o País aos 13 anos para estudar balé nos Estados Unidos e depois na França. ''Foi onde eu comecei, na escola. Eu era assim também, um menino de malha correndo para cima e para baixo nas escadas. É muito importante ser convidado, não só para inspirar alunos e público mas para me inspirar também, é uma troca'', avalia o bailarino, de 29 anos, que no Carnaval passado foi enredo da escola de samba Balaco-blaco, em Manaus, sua cidade natal.
Segundo Gomes, dançar em casa (no Brasil) desperta sensações diferentes de outros lugares. ''É maravilhoso, o público brasileiro tem paixão, energia, vibra com você. Tem um barulhinho que não tem em outros locais, você sabe que eles estão lá, que estão com você. No Japão, é um silêncio que você não escuta nada. Você sabe que eles estão ali mas de outra forma'', compara.
Com uma trajetória marcada por grandes oportunidades, sempre bem-aproveitadas, Gomes diz que contou com um pouco de sorte e com muito sacrifício. ''Deus me deu o dom da dança, acredito que você recebe o que vai fazer. Então tive a sorte de estar no lugar certo e receber as bolsas de estudo no momento certo, mas não foi só a sorte. Foi o sacrifício de deixar minha família para trás, meus amigos. Eu tinha fome de aprender, tinha em mente que queria ser bailarino'', recorda.
Além da grande vontade de dedicar-se ao balé, Gomes atribui seu sucesso também ao apoio que sempre recebeu dos pais. ''Eles me apoiaram desde o começo, tenho pais de ouro. Hoje eles estão superorgulhosos da minha carreira'', afirma o bailarino, que precisou abrir mão de muita coisa desde cedo para alcançar seu objetivo. ''Não tive a infância de uma criança típica no Brasil. Comia no carro, no caminho para as aulas. Fazia os deveres de casa à noite. Você tem que comer, beber e respirar balé. É devoção mesmo'', conta. Todo o esforço resultou em um amadurecimento rápido. ''O treino é muito rígido, você aprende a ter um senso de respeito muito grande à arte, que muita gente não entende'', explica Gomes. ''É tudo pago pelos aplausos'', completa.
Para a diretora da Petit Ballet, Rita de Cássia Monte Correia, a montagem do espetáculo com os convidados ilustres é a realização de um sonho, alimentado desde o aniversário de 25 anos da escola, comemorado em 2006. ''É muito difícil mas nem por isso a gente vai deixar de correr atrás. É uma honra mesmo'', ressalta a diretora.
SERVIÇO
- O Corsário
Quando - Amanhã, às 20h e domingo, às 17h
Onde - Teatro Positivo, em Curitiba
Quanto - R$ 203 (platéia inferior), R$ 153 (platéia superior) e R$ 103 (lateral). Descontos de 50% para estudantes e pessoas com mais de 60 anos Ponto de Vendas - Disk Ingresso (41) 3315-0808
Mais informações - (41) 3342-4268 e www.petitballet.com.br

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