DESTAQUE - Um nome que virou grife
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de maio de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Transitar pelo mundo da moda e da cultura como espectadora e formadora de opinião é uma coisa, mas mergulhar nesse universo com a cara e a coragem de uma empresária é outro bem diferente. Mas foi justamente a segunda opção que a jornalista Erika Palomino escolheu, porque facilidade não está exatamente nos planos dela. Erika deixou a redação da Folha de São Paulo, onde trabalhava há 18 anos, para embrenhar-se num projeto ousado. A House of Erik!a Palomino, um galpão com funcionalidade múltipla na Vila Madalena, em São Paulo. Patrocinado pela Kaiser, o megaprojeto é meio nebuloso quando se trata de custos. Mas foi caro, muito caro. E dá para ver pela empreitada.
Inaugurado no final do ano passado, o espaço une música, tecnologia, design, moda e arte. Erika falou à Folha sobre o projeto e contou as novidades que estão por vir, como uma parceria inédita com a gravadora Trama, que deve lançar coletâneas de artistas brasileiros. Transformar o galpão numa gravadora, numa produtora de vídeo independente, além de abrigar exposições e servir de QG para a redação do site da jornalista (www.ericapalomino.com.br) e da Revista Key, que chega às bancas pela bagatela de R$ 35,00, não encerra as atividades do espaço.
''Muita gente não entende a proposta do galpão. Acho que só dá para entender indo lá. Um diferencial é que nós só fazemos parcerias com quem a gente acredita e nunca alugamos o espaço para outros eventos'', conta. Entre área livre, redação e galeria de exposições a House of Erik!a Palomino tem cerca de 1 mil metros quadrados e está localizado em lugar estratégico da metrópole. ''Eu queria que fosse na Vila Madalena porque é um bairro mais cultural, se fosse nos Jardins, por exemplo, ia ter uma outra cara, mais burguesa, que não era minha intenção''.
Por enquanto, a equipe que trabalha no local é formada por 12 pessoas, incluindo a divisão de vídeo. Todos os projetos que acontecem na casa, como o show do ex-RPM Paulo Ricardo e a sessão de fotografias do ator Cauã Reymond, que vai ganhar capa do segundo número da revista Key, tem ''making of'' produzidos e gravados em DVD. Tantos projetos centralizados em um só espaço pedem vôos mais altos. Por isso, a jornalista pensa em criar um braço da casa no Rio de Janeiro. ''Mas é só uma projeção, só vontade. Ainda não sei como vou concretizar isso'', conta.
Sobre a transição do jornalismo para a produção de eventos e projetos culturais, Erika diz se se sentir à vontade com a escolha. ''Foi uma transição confortável. Me orgulho de estar ''do outro lado'', produzindo cultura. Acho que estou oferecendo alguma coisa para o público, para a cidade, para o Brasil'', resume. Para ela, a parte mais estranha dessa mudança é cumprir agenda e dar entrevistas.
Erica esteve em Curitiba como convidada da Kaiser, que estava com um lounge na 14 edição do Crystal Fashion, que encerrou na semana passada. Deu entrevista, mas não estava a trabalho. Ficou apenas no lounge, durante quatro horas, e nem assistiu nem comentou os desfiles. Por que nesse caso ficaria caro... Muito caro. Tantos os valores do projeto do Galpão, que tem patrocínio anual da Kaiser, como a possível cobertura de Erika no evento curitibano, não foram revelados pela cervejaria.


