Desde criança o londrinense Alexandre Carlomagno sonhava em ser ator. Na escola, em Cornélio Procópio, onde morava na época, era motivo de brincadeira entre os amigos que não acreditavam que chegaria lá. Mas, hoje, aos 26 anos, é ele quem vai interpretar Aloysio, na novela ''Cristal'', no SBT, prevista para estrear no próximo dia 29 de maio. O personagem, um ambicioso jovem assistente de direção de uma importante emissora de televisão, vai contracenar com o vilão Gustavo Palhares (Alexandre Barilari) de quem conhece todos os planos sórdidos contra Alex (Giuseppe Oristano). Seu objetivo é dirigir uma novela e, para isso, é capaz de passar por cima de quem for preciso. ''O meu personagem, nada 'bonzinho', vai mostrar um pouco do que acontece nos bastidores da profissão de ator. Para a minha carreira, esse é um momento especial e pretendo me dedicar ao máximo'', comentou o ator, que atualmente mora em São Paulo.
Aos 18 anos, Carlomagno saiu de Cornélio para estudar em Londrina. Enquanto cursava o primeiro ano da faculdade de marketing, na Unopar, decidiu que queria seguir a carreira artística. Foi aluno do Teatro Cultura, onde cursou as primeiras aulas de interpretação e chegou a ganhar, em 1999, o prêmio de melhor ator, no Festival de Teatro do Paraná, pela sua atuação na peça ''Casa do Terror 1 e 2''. ''Vi que realmente queria ser ator e aprender mais, já que o curso que tinha feito não era profissionalizante'', afirmou.
Depois de muita reflexão, decidiu tentar a vida no Rio de Janeiro. Transferiu a faculdade para a Universidade Gama Filho onde se formou em Jornalismo e, nos primeiros dois meses, acabou morando na casa de uma amiga de sua mãe, antes de dividir um apartamento com amigos. ''Não foi fácil. Fazia faculdade e trabalhava como contra-regra para me sustentar'', relembrou o jovem ator.
A sorte de uma forcinha quando trabalhou com as atrizes Andréa Beltrão e Eliane Giardini na peça ''Memória D'Água''. Com o apoio delas, conseguiu uma bolsa de estudos no Tablado por quatro anos. ''Aí o meu esforço teve que ser ainda maior, já que tinha mais uma responsabilidade. E nesse período atuei em mais de dez peças profissionais'', afirmou Carlomagno.
Outra experiência marcante aconteceu quando foi convidado para trabalhar como diretor de cena em ''A Prova'', peça premiada com Andréa Beltrão. ''Foi mais um reconhecimento, embora ache que diretor de cena é o 'nome mais nobre do contra-regra''', brincou. Depois disso, novos convites foram surgindo. Participou, na Globo, da minissérie ''Brava Gente'', no programa ''Linha Direta'' e fez uma rápida passagem na novela ''O Clone''. O trabalho de ator também não o impediu de ter experiências profissionais como iluminador, sonoplasta e assistente de direção. ''Comento que já passei por todas as etapas da carreira de ator. Desde servir cafezinho, como contra-regra, até à atuação. Só falta chegar à direção...'', ponderou.
Além da sua própria dedicação, em 2004, Carlomagno recebeu uma nova baforada da sorte. Entre 83 mil inscritos, foi selecionado para participar do ''Protagonista de Novela'', no SBT, programa em formato de reality show para atores desconhecidos. Na Oficina de Atores, aulas com profissionais do gabarito de Paulo Autran. ''Mesmo não sendo o vencedor do programa, que fiquei até o final, tive uma boa exposição nesses últimos dois anos.'' Nesse período, Carlomagno teve uma pequena participação na primeira fase da novela ''Floribella'', na Bandeirantes, antes de receber o ''convite irrecusável'' para atuar em ''Cristal''. ''É um personagem maior e vou contracenar com atores muito consagrados. E como tudo que acontece na minha vida, vou encarar como um grande desafio'', salientou.
Para aqueles que também sonham em seguir a carreira de ator, Carlomagno recomenda que, além de perseverança e coragem, é importante não se ''deslumbrar com a fama''. ''Muita gente entra na profissão apenas em busca de sucesso. Esquecem de se preocupar com os estudos e com a leitura, o que é lamentável. Os atores mais antigos têm uma formação muito mais rica que os da minha geração. Uma boa base familiar também é fundamental para encarar essa profissão. Quem esquece das origens, corre o sério risco de perder a própria identidade'', destacou o jovem ator, que demonstra uma precoce maturidade.

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