Mesmo sob forte chuva, os tambores soaram forte no último sábado à noite para marcar a abertura oficial do Ilê Ashé Ogum Mêge, terreiro de candomblé localizado na divisa de Londrina e Cambé, liderado pela Yalorixá Mukumby Alagângue, nome espiritual de Vilma Santos de Oliveira uma das respeitadas mães-de-santo da cidade e região. No próximo ano, ela comemora 40 anos de sacerdócio aliados a um intenso trabalho sócio-cultural desenvolvido junto à comunidade. Provavelmente é a mais antiga ''roça'' de candomblé em Londrina, cujas atividades foram iniciadas em 1970, primeiramente num quarto e posteriormente num terreiro improvisado. O Ilé Ashé Ogum Mêge foi erguido com recursos próprios e demorou dez anos para ser concluído. ''A construção dessa casa religiosa é a realização de um sonho. Mas a concretização não está só na construção em si, mas na certeza de que agora temos uma estrutura para realizar os cultos e também tocar projetos junto à comunidade como um todo'', diz Yá Mukumky, 55 anos, que é uma referência também como líder comunitária, coordenadora de projetos artísticos, militante da cultura afro, entre outras designações.
As comemorações alusivas ao terreiro de candomblé, que contou com a presença de várias personalidades, inclusive de outras vertentes religiosas, marcou o encerramento do Seminário ''Intolerância e Diálogo: Religião e Cidadania'', ocorrido entre quinta-feira e sábado. Durante três dias, nomes de expressão nacional e local reuniram-se no Crystal Palace Hotel para debates que agregaram com um público heterogêno ou seja, não apenas às pessoas ligadas diretamente ao candomblé ou umbanda.
''Conseguimos trazer alguns dos melhores palestrantes para Londrina que são referências da cultura afro no Brasil'', ressalta Idalto José de Almeida, coordenador do seminário. Entre os palestrantes, estava o carismático Lepê Correia, psicólogo e Mestre em Teoria da Literatura. ''Ele também é babalorixá (pai-de-santo) e portanto domina os dois lados, o acadêmico e o empírico'', diz Idalto. Dos participantes nacionais, ressaltam-se os nomes do Professor Doutor Raul Lody, antropólogo curador da Fundação Gilberto Freyre e o professor Jayro Pereira de Jesus, representante do Instituto Ilê Odara. Entre os nomes locais, destacam-se a Professora Doutora Maria Nilza da Silva, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da UEL, além de yalorixás e militantes da cultura afro-brasileira.
Um dos pontos positivos do evento foi a formalização do projeto que cria a Pastoral de Afro-descendentes Católicos, que contou, ainda de acordo com Idalto Almeida, com aprovação do Dom Albano Cavalin, arcebispo de Londrina.
O Seminário ''Intolerância e Diálogo foi realizado pela Fundação Cultural Palmares (através do Ministério da Cultura), Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (via Universidade Estadual de Londrina), Associação Afro-Brasileira de Londrina e Pro-Ranti (Resgate da Raça Negra, Tradições e Identidade), com apoio da Uninorte, da Secretaria Municipal de Cultura e Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial de Londrina.

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