Na terça-feira já havia ocorrido a mesma coisa. Face a tudo o que foi discutido sobre o novo filme de Andrew Dominik, ''Cogan - Killing Them Softly'', a imprensa norte-americana só quis aproveitar para saber de Brad Pitt quando, afinal, Angelina Jolie e ele vão oficializar sua união. E, de tudo o que foi dito, só a informação de que o casamento não tem data ganhou os sites de todo o mundo.
Na quarta, na coletiva de ''On the Road'', houve um momento, logo de cara, em que a coisa poderia ter degringolado. Uma jornalista do Canadá queria saber como foi filmar em seu país - quando o filme atravessa quase 100 mil km dos EUA. Outro, norte-americano, queria saber de Kristen Stewart como foi fazer as cenas de sexo e se Robert Pattinson, o namorado dela (na série ''Crepúsculo'' como na vida)... A pergunta ficou no ar, cortada pelo moderador Henri Béhar e pelo próprio Walter Salles, que tinha muito mais a dizer sobre sua adaptação do que ficar alimentando os sites de fofocas. Veja alguns tópicos.

- PREPARAÇÃO - ''Foi necessário um longo período que nos tomou oito anos para fazer esse filme. No processo, fiz um documentário que terminou sendo uma ferramenta importante na compreensão e aprofundamento da aventura toda. Foi muito importante ter encontrado o filho de Neal Cassidy, representado como Dean no livro de Kerouac. Ele forneceu uma espécie de bússola ao nos lembrar que os personagens de On the Road precedem a explosão da Beat Generation. E é disso que se trata. A história trata do despertar político e social de dois jovens que descobrem uma geografia humana que é estranha para eles.''

- VIGGO MORTENSEN - ''Havia lido On the Road quando jovem, mas reli pouco antes da filmagem. Só aí tomei consciência do seu caráter atual. Há hoje uma rejeição da crise econômica e das autoridades, e elas vêm principalmente dos jovens. É por isso um momento oportuno para se fazer este filme. As pessoas da minha geração verão o filme com nostalgia, mas os jovens vão poder se identificar com a época e seu espírito de contestação.''

- KRISTEN STEWART - ''Gosto dessas personagens que me confrontam, que me permitem sair da minha zona de conforto e ir ao limite. Marylou é uma personagem que ousa. Não creio que ela estivesse querendo ser parte de um movimento. Ela queria ser ela mesma e isso é uma coisa com a qual consigo me identificar. Para mim, se alguém encarna o espírito de liberdade do livro, é ela.'' (L.C.M./AE)

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