Despedida na telinha
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de junho de 2002
Janaína Nunes<br>Agência Folha 
A novela global O Clone termina hoje não só como o recorde de audiência dos últimos seis anos, como também com números que deixariam qualquer autor de queixo caído.
Com 47 pontos de média geral, a trama superou sucessos como Terra Nostra (1998) e Laços de Família (2000). Na última segunda, O Clone alcançou média de 60 pontos e pico de 67. Mas nem só de audiência sobreviveu a história de Glória Perez. A novela abusou dos números. Só de bordões que caíram na boca do povo foram, pelo menos, 13.
O número de passagens de tempo também foi alto. Ocorreram ao menos seis. A primeira de destaque foi quando Maysa (Daniela Escobar) anunciou sua gravidez e Deusa (Adriana Lessa) fez inseminação. Dias depois, Mel (Débora Falabella) e Leo (Murilo Benício) tinham 2 anos. Daí para os 18 anos da viciada e do clone, foram mais quatro confusas passagens. As duas primeiras fases da trama demoraram tanto que Leo só apareceu adulto no capítulo 91.
O número de participações especiais é outra marca impressionante. Foram cerca de 85, entre atores, cantores, esportistas e apresentadores.
Nunca se viu tanta participação em uma novela. No caso do bar da Jura, foi uma maneira que a autora encontrou de contar sua história unindo realidade e ficção, diz Mauro Alencar, doutorando em telenovelas pela USP.
Raramente uma protagonista teve tantos candidatos aos seus pés como Jade (Giovanna Antonelli). O comum é existir um triângulo. Em Jogo da Vida, lembro que a personagem da Glória Menezes tinha três pretendentes, o que já era muito, diz Alencar.
Para completar o balanço, pelo menos, dez atores do elenco de O Clone ou ficaram doentes ou se acidentaram no trabalho.


