Fernando Miragaya
TV Press
Luciano Huck vestiu a camisa da Globo. Recém-contratado pela emissora, o apresentador do ‘‘H’’, da Band, não disfarça o entusiasmo nem o deslumbramento com a nova empresa. Ciente da superioridade mercadológica da Globo, esse paulistano de 27 anos – com apenas três de televisão – não cansa de enaltecer a emissora. ‘‘O mais atraente é trabalhar com uma estrutura e uma vitrine que é a maior da América do Sul’’, ufaniza o apresentador, que compara a transferência com o ‘‘circo’’ da Fórmula 1. Luciano estaria indo para um carro mais veloz e competitivo. ‘‘Todo mundo quer andar na Ferrari. Eu também e agora vou pilotar uma’’, diz animado, abstraindo o fato de que há 20 anos a escuderia italiana não tem um piloto campeão da Fórmula 1.
No novo cockpit, Luciano terá muitas curvas a superar. O apresentador está deixando o horário nobre, no qual o ‘‘H’’ vem registrando média de 8 a 10 pontos de audiência, e indo para uma emissora que ainda não sabe o que fazer muito bem com tantos novos projetos e contratados. Além dele, a Globo contratou Jô Soares, Ana Maria Braga e Serginho Groisman.
Mas o apresentador não teme ficar na ‘‘geladeira’’, encostado. ‘‘Confio na palavra da Marluce’’, avisa Luciano, referindo-se à superintendente executiva da Globo, Marluce Dias da Silva.
Mesmo assim, Luciano foi precavido. Ele não entra em detalhes, mas diz que o contrato o protege. Na verdade, nada está definido. O apresentador espera encerrar o contrato com a Band, no dia 30 de setembro, para dar início ao projeto global. Luciano apenas revela que tem preferência por uma produção semanal nas tardes de sábado – até porque Serginho Groisman deve ter um programa diário.
Por que largar a Band, na qual você estava há três anos em horário nobre, pela Globo, onde não há ainda nada definido em relação ao seu programa?
Não saio da Band por nenhuma infelicidade financeira, profissional ou pessoal. Estou saindo de lá pela porta da frente. A Band foi realmente quem me deu carta branca para trabalhar. Delegaram uma hora e meia no horário nobre e me deixaram trabalhar. Nem me perguntaram o que eu ia fazer, só tenho a agradecer. Só que eu sou movido a desafios e achei que, com o convite da Globo, era hora de abastecer meu tanque com um novo desafio. Ir para a Globo é maravilhoso. Vou contar com a estrutura técnica da emissora, a estrutura humana, a capacidade de produção e de criação. O que me seduziu foi isso: a possibilidade de trabalhar com uma estrutura maior, com os talentos que tem lá dentro e com uma vitrine que é a maior da América do Sul.
Dá para notar um certo deslumbramento...
A estrutura pesa, é lógico. É como ser piloto de Fórmula 1. Todo mundo quer andar de Ferrari. Eu quero andar de Ferrari também...
A Globo contratou recentemente figuras de peso como Ana Maria Braga, Serginho Groisman e Jô Soares. Com vários programas para estrear, você não fica preocupado de ser posto na ‘‘geladeira’’?
Acho que a Globo não está perdida. Sei que a Marluce tem uma estratégia. A emissora não está atirando a esmo, sabe o que está fazendo. Se pararmos para pensar nos quatro contratados, todos têm perfil parecido. Não são simplesmente apresentadores de tevê. Não é gente que chega para apresentar o programa, lê o teleprompter e acabou. Os quatro são produtores e criadores, participam de todo o processo de criação do programa e de execução. O Serginho até é diretor. Acho que o perfil dos quatro tem lógica. As contratações são pertinentes.
Mas há quem diga que a Globo está mais preocupada em tirar profissionais da concorrente do que aproveitá-los...
Se fosse assim, ela teria contratado o Ratinho em vez de nós quatro. Acho que a intenção não é essa. Faz parte de um projeto que a Marluce tem para a emissora para o ano que vem.
E o Serginho Groisman? Vocês fazem programas direcionados para o mesmo público. Não haverá uma concorrência entre os dois?
Quem sai ganhando é o público. Eu e o Serginho temos projetos complementares. O Serginho tem uma linha mais voltada para discussão, debates, reflexões e eu gosto mais de show, externas, entretenimento, festa...
Você pretende levar a equipe do ‘‘H’’?
Tenho gente muito boa trabalhando comigo e acho que gente boa é bem-vinda em qualquer empresa. Como a gente vai ter de montar uma produção, não tem porque boa parte do pessoal não ser absorvida pela Globo.
A Feiticeira está incluída?
Tenho vontade que ela vá e a Globo não é avessa à idéia. É lógico que, no formato que está na Band, ela não cabe na Globo. O que não impede de haver uma releitura dessa personagem, uma releitura da brincadeira.
Por que o formato não cabe?
Eu acho que a vitrine da Globo é grande demais e não segmenta o público. Você pega a família inteira. E com a estrutura e os recursos que dispomos lá, a gente pode fazer um quadro melhor com a Feiticeira. Temperar mais um pouco, deixar melhor acabado, fazer ficar mais bacana. Com sensualidade, porém não exagerando tanto...

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