Desinformação e inexperiência são perigos para turistas
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terça-feira, 01 de agosto de 2006
Francisco Quinteiro Pires e Rafael Barifouse<br> Agência Estado 
Desinformação e inexperiência. Esses são os perigos que o turista praticante de rappel corre nos momentos de lazer. O coordenador da comissão de estudos de técnicas verticais do Comitê de Turismo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Humberto Medaglia, afirma que, a cada 15 dias, ocorre um acidente. A gravidade varia: de cabelo preso e mão queimada a casos fatais.
A difusão da técnica se encontra no acesso mais facilitado aos equipamentos. ''Antigamente, a gente saía no tapa com os amigos para conseguir um mosquetão importado'', diz Medaglia. A atuação por vezes errada da mídia - mostrando o rappel como algo fácil de ser feito - também ajuda a provocar contratempos.
Enquanto não se aprovam as regras para o setor, Medaglia indica como capacitados professores que façam parte de associações como a Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo, a Associação Brasileira de Canionismo ou a União Paulista de Espeleologia. ''Dominam a técnica de auto-resgate, que é a capacidade de gerir um acidente sem auxílio externo.'' De acordo com ele, a demanda por regulação surgiu quando o Ministério do Turismo percebeu o segmento de esportes radicais no País.
As normas, no entanto, só atingirão o rappel tratado como negócio. ''Regulamentação da ABNT é para turismo. O esportista não tem de seguir nenhuma dessas normas'', explica Álvaro Barros, presidente da Associação Brasileira de Canionismo. Ele acredita que, com o tempo, o mercado vai auto-regular-se, em vez de ficar preso a certificações oficiais. Num setor em expansão, segundo ele, as empresas de turismo de aventura com longevidade geralmente são as mais seguras.
Não existem equipamentos específicos para rappel, e sim equipamentos para fazer rappel em modalidades, como exploração de cavernas ou escalada. Isso mostra como a técnica vertical era um meio, e não a atividade-fim que se tornou. Mas o crescimento da modalidade foi quantitativo e não qualitativo. Daí aparecerem abusos - descer de cabeça para baixo ou se balançar na corda. ''Se descer pela corda é sempre igual, começam a inventar'', diz Barros.
Os equipamentos mudam segundo o local da prática. ''Há de 20 a 30 modelos de cadeirinhas com finalidades diferentes. Falar em equipamentos de rappel é simplificar a questão'', diz Barros. Para ele, os acidentes vêm de erros de procedimento e falta de conhecimento. Se a responsabilidade é deixada com um leigo, ele não sabe avaliar a segurança.


