Design de qualidade
Érika Pelegrino
Londrina
ReproduçãoPôster de Marcos Berteloni que será exposto no MIS: alusão ao abandono das criançasO londrinense Marcos Berteloni foi o único paranaense a participar da etapa final do concurso PosterContest II, categoria profissional, promovido pela Associação dos Designers Gráficos de São Paulo e pela Revista Designer Gráfico, no último dia 27. Dos 200 participantes, 26 cartazes foram selecionados, entre eles, três de Marcos Berteloni.
O tema violência foi trabalhado pelos concorrente em pôsteres de 90X60 cm. Embora não tenha tirado o primeiro lugar, a obra de Marcos estará exposta no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.
Marcos trabalhou em cima de duas idéias para desenvolver os cartazes. A primeira referindo-se a uma lembrança da infância: Minha irmã sempre que presenciava uma violência, colocava as mãos no rosto. Dois de seus trabalhos mostram duas mãos escondendo um rosto.
O terceiro mostra uma metrópole ao fundo e uma criança em primeiro plano. Quis mostrar a maior violência que é o abandono de crianças, afirma Marcos. A partir desta violência surgem todos os outros tipos de violência.
Dorico da SilvaMarcos Berteloni: único paranaense classificado no concurso teve três trabalhos selecionadosFormado pela Unopar (Faculdades Integradas do Norte do Paraná), em Londrina, Marcos trabalhou durante dois meses e meio para chegar ao resultado final. Os pôsteres foram criados basicamente com o programa Photoshop. Apesar do trabalho de Marcos ter sido centrado no computador, ele afirma que o equipamento é apenas mais uma ferramenta. Podemos trabalhar com diversos outros recursos, salienta. Em um de seus pôsteres ele utilizou jornal amassado como forma de fazer uma referência a um veículo que denuncia a violência. Os recursos que podem ser utilizados pelo designer gráfico são vários: pincel, aquarela, guache, recorte, textura de papel. O profissional mais atento pode encontrar as soluções para o seu trabalho em qualquer objeto de seu cotidiano.
A designer gráfica Cristina Tomé, há sete anos na área, com quem Marcos trabalhou durante três anos, faz uma análise mais complexa. Segundo ela, se o profissional se limitar a trabalhar com as técnicas oferecidas pelo computador seu trabalho vai perder muito em originalidade.
Sem pensarSe por um lado, o computador popularizou a técnica, por outro, segundo Cristina Tomé, cada vez mais se formam profissionais não habilitados para pensar. E é justamente aí, que os designers gráficos, assim como outros profissionais, têm que se diferenciar.
O profissional tem que investir cada vez mais na sua formação, processo intuitivo e sensibilidade, afirma Cristina Tomé. Para traduzir em elementos gráficos um conceito, o designer passa por uma busca de informações e diversos questionamentos filosóficos que o levarão ao conceito do trabalho específico. Só depois de ter o conceito claro na sua cabeça é que você parte para a técnica, explica.





