Ao som do vozeirão de Barry White, Fause Haten abriu ontem o terceiro dia da São Paulo Fashion Week. O desfile exclusivamente masculino mostrou capricho na alfaiataria de proporções secas e corte impecável. A silhueta é ajustada e tem muito a ver com a linha de sungas criadas pelo estilista para a Speedo. Se na água menos atrito é mais velocidade para os nadadores, na passarela, menos brilho é mais elegância. Os bordados de paetês aparecem mais discretos, seja na lapela do paletó e nas laterais da calça.
Nos desfiles de quarta-feira, outra voz potente foi responsável por um dos momentos mais emocionantes da última década fashion. A platéia se rendeu às lágrimas ao ver e ouvir o cantor Jamelão no final da apresentação da Poko Pano. Todo de branco, ele era a própria tendência do Verão 2006, já que a cor promete invadir as ruas na próxima temporada. No prédio da Bienal, o tom branco já é total. Até uma das salas de desfile, que sempre foram pretinhas básicas, está toda branca. E deliciosa.
A estilista Paola Robba se inspirou no baú da vovó para criar biquínis e maiôs com ar romântico-retrô. Bordadinhos, tapeçaria e crochê foram resgatados para enfeitar sutiãs e calcinhas mais comportadinhos. ''E minha avó adorava o Jamelão'', justificou a estilista. Nem precisava já que a presença do sambista fez o dia - que teve sete desfiles - ficar mais fácil.
E coração fashion voltou a bater mais forte logo depois. O desfile que se seguiu foi o do mineiro Ronaldo Fraga. Em homenagem sentimental, as costureiras que sempre ficam nos bastidores foram para a passarela, que mostrou todo o universo das máquinas de costuras e suas adoráveis condutoras. Numa história bem contada (como é de hábito do criador Fraga), a coleção tem poesia nos mínimos detalhes. O amor é o fio condutor e está explícito nos corações e nos noivinhos de bolo que estampam os vestidos-que-a-gente-vai-querer-ter.
Também foi dia de flores e romance nas criações da Sais e da Triton. A primeira aposta na moda praia fofinha com lacinhos de todos os tamanhos e cores. Já a segunda olhou para Jodie Foster ainda mocinha no filme ''Táxi Driver''. A inspiração é literal no look com chapéus de abas generosas. As estampas passaram pelo jardim mais próximo trazendo tulipas e margaridinhas. Para quem gosta das estampas animais, a Triton brinca com a girafa, que é de longe bem mais divertida que onças e zebras, que tanto circulam por aí. As flores e cores também invadiram a passarela de Carlos Tufvesson, que avisa que não pensou na filosofia hippie, apesar do desfile bem setentinha.
Marcelo Sommer, que na edição passada tinha viajado para a Islândia, nesta temporada preferiu a África. Metros e mais metros de tecidos encantadores foram comprados em Londres de uma fábrica holandesa especializada em roupas africanas. Amarrações de canga inspiram as formas e mini-peças colocam humor e doçura no desfile coreografado.
Na última apresentação de quarta-feira, a Zoomp avisa que o jeanswear também consegue ganhar novas modelagens. O traço elogiado é do estilista londrinense Henry Alavez, que ousa em trazer a estética das roupas de ginástica para o jeans, que se ajusta e se molda ao corpo, mas também consegue ser folgado e largo em outros momentos. A calça-biquíni divide a cena com a calça-clochard (cintura alta).
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

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