Ana Clara Garmendia
Equipe da Folha
  
Curitiba - O Curitiba Fashion Art, série de desfiles que mostra as criações de estilistas paranaenses, começou na fria noite de terça-feira, num clima mesclado entre William Shakespeare, Havaí e referências orientais. Contrariando a tradição, o CFA apresentou em primeiro lugar os profissionais que se arriscam a fazer moda praia.
  Missão dura, mas não impossível. A primeira marca a ir para a berlinda foi a Lagoon. Empresa forte, é o principal braço da conhecida KAS, a marca que vende roupas de ginástica há uma década. A grife já tem cinco de maturidade e seu dono, o designer Sergio Daitschman, concebeu as peças. Janaína Costi as desenvolveu.
  Primeira questão surgida no desfile da Lagoon: garotas que moram em florestas usam biquíni e saltos altos? Paisagens shakespearianas foram transportadas para o Havaí e foram palcos de passagens difíceis de serem usadas no dia-a-dia, como as batas estilo ‘‘Julieta’’ compostas com partes de baixo de biquínis.
  Num momento em que o ‘‘mar não está para peixe’’ a moda pede variação e simplicidade. Tentar um visual pouco mais complicado às vezes é um risco. Os momentos foram bons para as cores escolhidas, o bege, o rosa e o laranja. Os bordados em canutilho apontaram maturidade e uma preocupação fundamental com o acabamento. Porto seguro.
  O CFA é um evento que mostra os caminhos da moda e é evidente que, fazê-la funcionar no Estado como incentivadora de recursos e geradora de empregos, é uma realidade.
  O universo kitsch dos restaurantes chineses foi divertidamente abordado pela estreante Água Fresca, assim com os dois lados do símbolo oriental yin-yang. As criadoras Beth Kotzias e Irene Costi apresentaram as passagens mais consistentes da noite, com valorização nos maiôs e nas sungas masculinas.
  Preto, branco, vermelho e dragões chineses dourados trouxeram uma combinação que pode funcionar para quem não está buscando padronização. É uma aposta própria da marca que reforça a necessidade de cada estilista pensar em seu próprio caminho, sem tentar beber em outras fontes. Outrora isso poderia parecer utópico, em 2003 não mais.

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