Desfile desorganizado vira clube de mulheres
A proposta de tornar Curitiba uma referência no cenário fashion nacional pode até ser interessante, mas fazê-lo de forma amadora é imperdoável. A infra-estrutura apresentada pelo Global Fashion Show, evento que aconteceu de 14 a 16 de abril no Shopping Crystal, deixou muito a desejar e irritou aos que tentavam trabalhar no local ou assistir aos desfiles.
Embora as marcas DKNY, Hugo Boss, Max Mara, VR, Hyten, Ponto Oito, Sexxes e Cosmic Center tenham se esforçado para apresentar belos desfiles, a organização do evento falhou. As cadeiras de plástico colocadas em torno da passarela comportavam apenas metade dos convidados, o que provocou uma disputa por lugares.
Chico CamargoOs desfiles masculinos provocaram frisson entre a platéia curitibanaA imprensa não foi respeitada e também teve que disputar cadeiras para tentar assistir aos desfiles, o que dificultou - ou impossibilitou - o trabalho. Não havia lugares marcados para os jornalistas, procedimento comum em qualquer desfile de moda do mundo, o que levou muitos cinegrafistas, fotógrafos e repórteres a trabalharem sentados no chão.
Grande parte do público também ficou em pé ou sentado ao redor da passarela, atrapalhando a visão dos afortunados que conseguiram uma cadeira. O ar condicionado não funcionou e as cerca de 400 pessoas que assistiam a cada desfile suaram, apesar da temperatura fria do lado de fora.
Chico CamargoA moda inverno traz vestidos em cetin com cortes surpreendentes e acabamentos perfeitosAntes do início de cada desfile, o público era obrigado a assistir a uma gravação amadora, transmitida em telão, onde o organizador do evento, Sandro Tanck, falava o óbvio. Num som terrível, dificílimo de se ouvir, ele discursava sobre a proposta de transformar Curitiba num centro de moda nacional.
Num procedimento inédito, a produção do Global Fashion Show exigia que o público se retirasse do local nos intervalos dos desfiles, deixando para trás as disputadas cadeiras. No retorno, havia novo corre-corre e disputa por lugares. O evento aconteceu no piso L2 do shopping, no local onde funcionava a Academia All Sport, apresentando dois ou três desfiles a cada noite.
Um capítulo à parte no evento foi o comportamento do público curitibano. Especialmente nos desfiles das marcas DKNY, que levou à passarela o jogador de vôlei Giovane, e da Hugo Boss, que trouxe à Curitiba um seleto grupo de modelos masculinos, incluindo o festejado top Paulo Zulu.
Quando os belos surgiam na boca da passarela, centenas de curitibanas gritavam e assobiavam desesperadamente, transformando o pretenso evento de moda numa espécie de clube de mulheres.Chico CamargoRepórteres e convidados assistiram ao glamour das grandes grifes de Curitiba sentados no chãoSimone Mattos





