Londrina, onze e meia da manhã, sexta-feira. O fluxo no Calçadão da Avenida Paraná é intenso. As pessoas andam apressadas na hora do almoço, encolhidas por causa do friozinho, um tanto quanto fechadas. A música toca alto na banca de CDs e se confunde com o barulho do alto-falante da loja de roupas e com o ruído da rua. Os sons se misturam e embalam o movimento agitado dos transeuntes na manhã de maio.
Aos poucos esse clima é invadido pelos acordes do que parece ser... uma banda. Os passos vão diminuindo, as feições mudando. As atenções se voltam para o som. O volume aumenta e as pessoas param para olhar. É a parada do Festival Internacional de Londrina (Filo), que reuniu centenas de artistas para marcar o início do evento, ontem, e fazer uma homenagem aos 70 anos da cidade.
Puxada pela Banda de Paranavaí, a manifestação ''Londrina 70 anos: o Paraná se encontra aqui'' invadiu o centro da cidade com artistas de máscaras e figurinos, elevados em pernas-de-pau, segurando faixas e bexigas.
São artistas de Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu, Palmas, Castro, Chopinzinho, Pato Bragado e outras oito cidades do Estado que participam do Filo através do programa estadual Paranização, que fazem parte do programa municipal Rede da Cidadania, integram grupos locais ou simplesmente que resolveram aderir à parada. Para fechar o desfile, a Escola de Samba Gaviões Londrinenses esquentou a bateria.
O público acompanha com o olhar, pergunta do que se trata e alguns até se aventuram a entrar na brincadeira. Das portas das lojas, de dentro do banco, das janelas dos prédios, olhares atentos ao corredor da arte e da cultura. Ao final da manifestação, em frente ao Teatro Ouro Verde, bateria e banda embalam juntas a concentração de artistas e espectadores. Um parabéns para a cidade, que faz 70 anos, uma batucada para o público. ''Viva Londrina, viva o Filo, viva a festa das artes cênicas'', grita o artista, símbolo do evento, de cima da perna-de-pau.

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