Curitiba Tecnologia, transformações e uso de temas regionais tomaram espaço das passarelas, no terceiro dia de desfiles do Curitiba Fashion Art (CFA), evento de moda que termina hoje na Capital e mostra os novos estilistas do Estado.
As apresentações começaram com o trabalho arejado de Edson Korner e sua grife Korr. Sem se apegar às já batidas tendências internacionais, Korner mostrou peças ligadas diretamente com o uso diário para uma juventude que adora a imagem como carro-chefe de comportamento.
Neoprene, nylon, suplex. Tecidos que não amassam e facilitam a vida dos seres ''urbanos'' são amplamente trabalhados em calças largas masculinas, bermudas e camisetas. Mulheres da Korr usam saias curtíssimas, tops para valorizar corpos que têm que ser perfeitos e até um aposentado colete, que ficou anos na naftalina, e volta renovado na visão do estilista.
Prestigiadíssimo, o desfile da Korr arrastou a chamada ala ''cult'' e também a fashion da cidade para assisti-lo.
A segunda grife, a Ex Madame, mostrou que a transformação pode ser a grande saída para a moda feita hoje num Brasil em crise total. A dupla Ronaldo Silvestre e César Scollari criou algumas peças dois-em-um e deu evidência à versatilidade de suas criações com uma calça curta que vira saia ou uma bolsa que pode encaixar numa outra peça e virar também uma saia. Para os homens uma visita a calças com suspensórios descuidadamente pendurados e camisetas.
Uma boa característica da dupla é valorizar os ombros femininos. Blusas mangas-morcego (anos 80 total) com ombros caídos e acabamentos com fecho (eles funcionam bem em várias peças da coleção e são uma arma da grife) revitalizam uma peça sempre boa para garotas, balzaquianas e mulheres-lobas usarem (apesar deles anunciarem que fazem roupas para mulheres com idade entre 15 e 30 anos).
Sem preocupações, a Ex Madame fez boa estréia no evento. Valorizou a idéia como uma acompanhante eterna da moda. Nas camisetas estampas com dizeres ''busto perfeito'' e ''hemorroides'' dão o recado de irreverência, indispensável para qualquer um que queira se estabelecer como modista em qualquer tempo.
O fechamento da noite ficou com a londrinense Soraya Ayoub. Conhecida por trabalhar com tear de seda, a criadora arriscou-se em uma coleção temática sobre uma louça de barro chamada Maruanum do Amapá.
Acabamento perfeito, tear de seda também, boa cartela de cores (do branco ao vermelho urucum), a criadora acerta em decotes ousados e na fluidez das peças (as modelos flutuam com as batas de seda). Talvez se não tivesse pesado tanto a mão na caracterização das roupas, dando ares muito indígenas para as peças, Soraya tivesse sido mais feliz na sua nova coleção. Regionalismo e moda são ingredientes muito complicados de se misturar.

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