A temporada é de ''racha'' no pop nacional. Como um efeito dominó, algumas das mais consagradas bandas brasileiras começam a enfrentar a saída de seus integrantes originais estimulando apostas bem-humoradas sobre quem será o próximo a deixar os colegas na mão.
A onda de dissidências começou em março com o desligamento do guitarrista Loro Jones, do Capital Inicial, do qual era um dos membros fundadores ao lado dos irmãos Fê e Flávio Lemos. A mais recente ''baixa'' foi anunciada na última terça-feira com o afastamento de Marcelo Yuka do grupo O Rappa.
Na semana passada, foi o baixista Canisso que pegou todos de surpresa ao abandonar os Raimundos. Pouco antes, em setembro, Nando Reis também fora notícia ao se despedir dos Titãs durante a turnê do álbum ''A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana''.
Sobre os Titãs, já há quem aponte sua provável dissolução e não apenas por causa das sucessivas perdas de Arnaldo Antunes (em 1992), Marcelo Frommer (vítima de um atropelamento em 2001) e mais recentemente do baixista. A própria projeção das atividades paralelas dos músicos tem alimentando rumores e especulações.
Paulo Miklos, por exemplo, não só tem dois CDs-solo no currículo como já conquistou um espaço como ator após o aclamado desempenho no longa ''O Invasor'', de Beto Brant. Toni Bellotto já virou escritor de prestígio, com livro adaptado para o cinema. Charles Gavin é o mais requisitado restaurador de baús musicais das grandes gravadoras, sendo responsável pela remasterização de dezenas de títulos que retornaram ao mercado nos últimos três anos.
Dos Titãs, apenas Sérgio Brito e Branco Mello ainda não conseguiram decolar seus projetos individuais. Uma década mais novos, os Raimundos também experimentam uma crise interna em suas fileiras. O primeiro conflito explodiu há pouco mais de um ano, quando o vocalista Rodolfo decidiu largar os companheiros para montar sua própria banda, alegando incompatibilidade de idéias.
Agora, quando os remanescentes começavam a engatar a turnê do recém-lançado álbum ''Kavookavala'', Canisso resolveu pular fora sem explicar com clareza as razões. Para ocupar seu posto, foi recrutado às pressas o baixista Alf, ''emprestado'' junto à banda paulistana Rumbora. O novo componente vai tocar apenas durante o período de transição, ajudando o grupo no cumprimento da agenda de shows até a escolha de outro músico.
Já no Rappa, a saída de Marcelo Yuka foi atribuída a seus compromissos paralelos, o que estaria prejudicando a agenda de gravações do quinto álbum da banda. O músico era o principal letrista e compositor do grupo. Ultimamente, vinha se dedicando aos teclados, depois de ficar impossibilitado de tocar bateria após ser baleado durante uma tentativa de assalto em novembro de 2000.
Nesta nova fase, participou de discos de outros artistas e intensificou sua participação em movimentos de ação social junto a comunidades de jovens carentes do Rio de Janeiro. Um comunicado oficial sobre o desfalque deverá ser emitido nos próximos dias por meio da gravadora Warner.

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