Desesperada, ela cortou os pulsos com o chaveiro
A estudante de publicidade J.P, de 26 anos, sabe o que significa ultrapassar os limites por causa do amor. Há pouco menos de três anos, ela cortou os pulsos depois que o namorado recusou dispensar um amigo em um encontro. ''Hoje sei que não tem nada a ver, meu namorado não é homossexual, mas para mim aquele amigo dele representava uma ameaça'', conta. A estudante reconheceu na personagem Heloísa algumas atitudes que tomou, mas diz que hoje se sente mais controlada.
Ela conta que na época do ''acidente'' não sabia o que estava fazendo. ''É como se você entrasse num mundo em que só existe você e seu parceiro. Como se sem ele você perdesse o chão'', compara a estudante. Ela optou por não se identificar na reportagem porque a mãe não sabe que ela cortou os pulsos por causa do namorado. ''Eu andava com elástico de amarrar cabelo no pulso para esconder a cicatriz.'' O corte foi feito com um chaveiro de ferro pontiagudo e não deixou sequelas físicas. Hoje, ainda namorando o mesmo rapaz, ela diz que o sentimento de insegurança passou e que está mais calma. ''Mas já pensei em procurar ajuda porque tenho medo que possa acontecer de novo. Até hoje não sei se tive só um surto ou se faria outra vez.''
Com atitudes menos drásticas, a estudante R.S.P diz que não chega a se comparar com a personagem de Giulia Gam, mas não esconde o ciúmes que sente. ''Tenho vergonha de sentir isso porque acho doentio, não acho normal, mas não consigo controlar'', diz. Ela admite saber da necessidade de buscar e manter a individulidade no relacionamento, mas conta que chega a perder a razão quando está com o namorado em um local público. ''Eu sei o tipo de mulher por quem ele se interessa e só de imaginar que ele pode olhar para outra fico muito nervosa. Já arrumei muita confusão por causa disso'', admite.
Admitir sentir insegurança, ciúme e outros sentimentos semelhantes é o primeiro passo, segundo o Mada, para se livrar de uma relação e de um comportamento doentio. ''Admitimos que éramos impotentes perante os relacionamentos e que tínhamos perdido o controle de nossas vidas.'' Está lá, em letras grandes no endereço eletrônico do Mada (www.geocities.com/wellesley/atrium/9468), o primeiro dos 12 passos do grupo. ''Dar o primeiro passo é o início fundamental na recuperação da dependência de relacionamentos. É nesse passo que admitimos que nos rendemos diante de nossos relacionamentos destrutivos'', explica o longo texto.
E se você é do tipo que se identifica com as menores reações da personagem da novela, vá com calma, respire fundo, releia o primeiro passo do Mada e, a exemplo dos grupos de recuperação anônima, pense: ''Só por hoje, não vou sentir ciúmes''. Afinal, hoje é Dia dos Namorados. (K.M.P.)





